<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064</id><updated>2011-04-21T22:25:57.185+02:00</updated><title type='text'>Sátiras</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>44</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114313742570318620</id><published>2006-03-23T19:09:00.000+01:00</published><updated>2006-03-23T19:10:25.733+01:00</updated><title type='text'>informação</title><content type='html'>Este blog só reabrirá dia 2 de Abril. Até lá um Bem Haja a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114313742570318620?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114313742570318620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114313742570318620' title='53 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114313742570318620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114313742570318620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/informao.html' title='informação'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>53</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114263993748630362</id><published>2006-03-18T00:57:00.000+01:00</published><updated>2006-03-18T08:09:06.483+01:00</updated><title type='text'>A feia (II)</title><content type='html'>Olhou-se ao espelho, via uma cara que não reconhecia, podia ser algo de mau gosto, sem qualquer traço que identificasse uma personalidade, mas sempre parecia um rosto mais bonito que o anterior. Não devia haver espelhos no mundo, são uma perda de tempo, sobretudo são um reflexo daquilo que não somos. Toda a gente julga por reflexos, é hipocrisia, sem qualquer dúvida vivemos num mundo hipócrita. Fechou os olhos e viu o seu rosto antigo, os olhos não podem nada, são meros instrumentos do engano. Só as mãos são verdadeiras. Nunca podemos medir alguém por aquilo que ele vê ou como é visto, fala ou como é ouvido, por aquilo que ouve ou por aquilo que dá a ouvir. Deveríamos avaliar sempre pelo que se faz, pelas acções, devíamos saber ver, saber falar e saber ouvir apenas com as mãos. Só as mãos são o verdadeiro rosto da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde criança que detestava bocas, pois eram as bocas que emitiam aquela palavra que a fazia sentir o ser mais odiado e horrível do mundo – a palavra «feia». Tapava os ouvidos, não queria ouvir, talvez por não ter grandes hipóteses raramente falava com alguém ou talvez porque não tinha nada de belo para dizer que fizesse com que os outros a olhassem de uma maneira menos cruel. Seja como for criou uma muralha à sua volta, não ouvia nada mas também não era ouvida, transmitia as suas emoções, as suas mensagens pelas suas criações. Transmitia pela sua arte, a arte da escultura. Gostava de pensar que nas mãos tinha os cinco sentidos.&lt;br /&gt;Ainda há pouco ouvia as palavras desumanas, fazendo eco na sua mente, daquele que morreu a contemplar a sua nova imagem. São os enganos dos olhos, porque ela esteve sempre ali, sempre igual, sempre pronta a ser amada. Talvez por uma simples imagem que não era ela, ele tivesse visto o que estava por detrás do seu rosto. Nunca antes a tinham amado, mas agora tinha a certeza que esse homem que tanto olhares de repúdio lhe tinha lançado, tinha descoberto a sua essência. Lembra-se como detestava aqueles olhares, os olhares magoam mais que as palavras, num olhar pode-se reflectir tudo aquilo que é desagradável, mas só pelas mão se pode transmitir beleza. Ele morreu com a sua imagem nas mãos, não seria essa a maior prova de amor? Agora restar-lhe-ia sonhar com ele. Partiria com o seu amante, fechado para a vida mas solto nos encantos do sonho para jardins que lhe estavam proibidos desde o dia em que nascera com aquele rosto. Mas agora tinha um rosto que era feito com as mãos ainda que não as dela, mas que foram guiadas pela sua criação no fundo eram como se as mãos fossem as dela. Sem duvida que o novo rosto era a chave que abriria as portas do jardim, onde novas Primaveras floririam deixando para trás os Invernos da solidão.&lt;br /&gt;Pensou em escrever todos os seus sonhos no jardim florido do amor para nunca se esquecer, mas não tinha o dom da palavra ou julgava que não tinha que é a mesma coisa. A sua memória estava ocupada com passados sem valor, passados cinzentos sem vida, queria colorir o seu futuro com lembranças de amor eterno. Sim todos os sonhos podem perdurar através das mãos, todos os sonhos se podem realizar com as mãos, as mãos são o sentido da vida, o caminho para qualquer sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôs todo o seu encanto na palma da mão, tocou o infinito amor com a ponta dos dedos e moldou a mais bela estátua que alguma vez fizera. A estátua que representava a figura divina do seu amante. Estaria sempre ali, não faria mais estátuas, acabaria ali a sua arte, podia sempre visualizar o seu amor com o toque sensível das mãos, a doce ferramenta do amor. Jamais a figura do seu amante escaparia da sua mente, passou dias e dias fazendo quer mimos suaves ora toques intensos de desejos, sim porque o amor também é posse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia reparou que para além da estátua também via a imagem do seu amor como se fosse de carne e osso. Sabia que era uma ilusão que tudo que vem dos olhos é ilusão, mas o amor também é feito de ilusão e fantasia coisa que a nua realidade não pode oferecer. Ouvia da boca daquela imagem palavras que julgara nunca ser possível de ouvir, palavras belas que ecoavam numa doce e meiga presença nos longínquos segredos da alma. Sentia o olhar da imagem que já não era imagem, era o seu verdadeiro amor, cheio de ternura e admiração, sentia a vida bela e gostava, gostava do poder dos olhos. Sentia que a sua alma repousava deliciosamente no leito do amor, lado a lado com o seu amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu à rua, mesmo que os outros falassem ela não ouvia, não por receio que algum mal dali resultasse, isso já não importava, mas apenas porque só tinha ouvidos para o seu amante. Era um mundo a dois e estava feliz. Fez compras, falou o estritamente necessário, olhou para onde tinha que olhar sem nunca tirar os olhos do seu amor. No caminho de regresso a casa sentiu uma mão a apertar-lhe o coração, um aperto tão forte que a fazia gritar silenciosamente como se a própria voz ficasse esmagada. Olhou para o seu amante e este esfumava-se lentamente tentando dizer qualquer coisa que ela não ouvia. Sentia umas picadas nos ouvidos, uns sons de estrondo como se todo mundo estivesse a desabar queria colocar as mãos nos ouvidos mas não podia porque o aperto do coração era dolorosamente insuportável. Sentia-se a desfalecer à medida que se ia deitando no chão, as lágrimas brotavam em estúpida perplexidade, não era pela terrível dor que sentia no peito ou nos ouvidos, eram lágrimas de tristeza, lágrimas de despedida por ver o seu amor a desaparecer, tornar-se invisível ou pior estar condenado à não existência. A sua vida sem ele não teria qualquer sentido e deixou-se morrer sem qualquer resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe se foi coincidência, mas nos breves momentos que levaram à morte daquela mulher, por muitos apelidada de feia, tinham entrado na sua casa uns vândalos que para além de roubarem o que de valor lá existia destruíram a estátua à martelada. Seja como for morreu de um fulminante ataque cardíaco. Quanto aos ouvidos nada foi detectado. A autópsia revelou ainda que a mulher feia, no breve instante que antecedeu a sua morte, tinha ficado cega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pedreiro, um simples pedreiro, para homenagear a grande escultora fez dos destroços da estátua uma brilhante lage que revestiu gloriosamente a campa daquela que é hoje considerada a mais bela escultora de que há memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Ao Vitor, pela conversa da treta( ou não) que deu nisto... que vocês leram&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114263993748630362?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114263993748630362/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114263993748630362' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114263993748630362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114263993748630362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/feia-ii.html' title='A feia (II)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114252753724345545</id><published>2006-03-16T17:43:00.000+01:00</published><updated>2006-03-17T00:44:17.846+01:00</updated><title type='text'>A feia</title><content type='html'>Guardou o tempo de criança em que se importava que lhe chamassem feia. Agora ao longe ria-se ingloriamente das palavras que lhe continuavam a bater nos ouvidos. Todavia não lhe era indiferente, detestava as aparências e as palavras ocas de quem só julgava pelo exterior. Não podendo dar luz, talvez nem quisesse, a tais palavras achou por bem pagar-lhes na mesma moeda. Se eles não viam, ela também deixaria de ver. Tapou os olhos com uma venda que durante dois anos usou silenciosamente.&lt;br /&gt;As mãos são os olhos da alma, cega por opção, faria uma estátua que deixaria bem claro a sua revolta. Uma estátua que tivesse um rosto horrível, mas que todos aqueles que lhe chamaram feia se pudessem rever nela. Não precisou de um esforço acrescido para recordar todos os traços, todos os contornos dos rostos, todos os lábios, por onde vociferavam linhas de desprezo, expressões de abominação e vozes geladas que feriam como lâminas. Seria uma estátua de escárnio satírico onde rebaixaria todas as expressões daqueles que a haviam feito sofrer. Moldaria a mais ignóbil obra que alguma vez feita.&lt;br /&gt;Acabada a estátua foi fácil colocá-la no mercado, pois era uma artista reconhecida pelas suas obras de grande valor. Para sua decepção a estátua foi considerada, pela crítica, uma das mais belas obras da arte contemporânea, foi mesmo idolatrada por alguns essencialmente por aqueles que ela queria atingir. Ficou triste e desiludida, mas teve uma certeza – "a beleza não está nas coisas mas sim nos olhos de quem a vê".&lt;br /&gt;Procurou o melhor cirurgião plástico que lhe reconstruiu o rosto tornando-o igual ao da estátua. Ficou admirada quando quase todos a julgaram por uma pessoa de mau gosto sem qualquer tipo de personalidade. No entanto uma foto sua saiu numa das maiores revistas de moda, soube mais tarde que um homem tinha morrido devido à obsessão pela sua foto. Esse homem qual Narciso olhou para aquela foto como se visse ali o seu reflexo, talvez a sua alma gémea. Esse homem era, pura e simplesmente, aquele que mais repugnantemente lhe tinha chamado feia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114252753724345545?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114252753724345545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114252753724345545' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114252753724345545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114252753724345545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/feia.html' title='A feia'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114239628886924612</id><published>2006-03-15T05:17:00.000+01:00</published><updated>2006-03-15T07:24:58.460+01:00</updated><title type='text'>O Caçador de almas</title><content type='html'>Noite de lua cheia. Nuvens rendilhadas trespassavam, aos poucos, a lua.&lt;br /&gt;Do 5º andar sobressai da escuridão um cigarro aceso. Uma passa, um rosto imperceptível, olhos que reflectiam a cinza em rubro do cigarro. Olhos que se dirigiam ao outro lado da rua, um quarto, vidros transparentes, luz acesa, dois corpos entrelaçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………………..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem nu, olhos fechados, impulsivamente descarregava raivas, medos e insucesso no ventre de Marta. Gemidos selvagens, talvez algum carinho, recordando alguém… talvez o prazer como cura para frustrações.&lt;br /&gt;Marta deitada sobre lençóis, de olhos bem abertos, olhava o tecto branco. Não precisava de concentração para emitir gemidos que simulassem prazer. Todos os sons estavam mecanizados, assim como os gestos, gestos sensuais de todo o corpo. Apenas guardava uma coisa para si, os olhos, não venderia os olhos por nada. Se vendesse os olhos venderia a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhava o tecto branco tentando levar a brancura para a sua mente, tudo branco a cor da pureza. Não era pureza que buscava, era esquecimento do momento, era esquecer a dor de sonhos perdidos. Toda ela era sonhos por conquistar, muitos deles em memórias esquecidas. Que interessa? Que interessa quando se é um depósito de raiva, um recipiente para outros reciclarem as suas desventuras… Que raiva! Quanto menos se quer sentir mais se pensa. Porque será que a mente não se desliga simplesmente?....Dois anos, dois anos e conseguiria todo o dinheiro que precisava para abandonar esta maldita profissão…escravidão, escravidão é o que é, escravidão da alma. É assim a vida dos tristes pensam sempre no futuro. De todos os sonhos que tinha tido, restava apenas um, o sonho de abandonar esta vida com alguma segurança financeira.&lt;br /&gt;O cliente saiu, um cliente certo como outros que tinha, todos eles eram também poços de desilusões muitas vezes iam ter com ela, para encontrar um pouco de prazer alívio ou tão só uma voz que os afastasse da solidão…só ela não tinha nenhum prazer, apenas o prazer da acumulação do dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta ficou sozinha, uma insegurança estúpida remoía-lhe a mente, sentia-se invadida por um olhar, nunca tinha tido esta sensação, nem precisava de ter, nunca se tinha importado que lhe espiassem o corpo. Desta vez era diferente não era ao corpo que esse olhar, que com certeza era só impressão, se dirigia, mas um olhar que a penetrava, um olhar que lhe despia a alma.&lt;br /&gt;Assustou-se, a campainha tinha-a apanhado desprevenida. Quem seria? Não esperava nenhum cliente, só atendia clientes com marcação antecipada. Tinha trancado a porta de todos os sonhos. Porquê abrir esta? Não existe inocência quando o medo domina, sentia-se nua, vestia um corpo transparente feito de pele e osso, e um robe sem qualquer poder para esconder a alma. Óculos de sol…óculos de sol era o que precisava. Escondeu os olhos. Abriu a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem! Gabardina e chapéu cinzento claro, luvas pretas e um ramo de rosas. Estendeu o ramo a Marta, esta pegou-lhe instintivamente. O homem lançou apenas um olhar, um breve sorriso, antes de Marta agradecer já tinha virado costas.&lt;br /&gt;Marta colocou as rosas numa jarra e pensava naquele instante desconhecido. Um sorriso abriu-lhe os lábios num leve prazer que soltou a imaginação. Daquele intervalo de tempo sobrou um olhar que a trespassou, um rosto de que não tinha lembrança. Era assim que via aquele rosto, um rosto sem contornos, ela que sempre fora boa a recordar caras… e por momentos sentiu-se só. Os sentidos não se dão com a solidão. Por isso tinha desaprendido de sentir, mas agora não conseguia evitar e gostava, sentia-se viva. Olhou a lua da janela, o silêncio do luar entrou-lhe na alma. Porque é que ele não tinha dito nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz não chega para serenar um corpo entregue aos ventos do tempo. E tentou recordar-se de um corpo de outrora, mas a mente esquece-se, restam os sonhos perdidos. Queria abrir as portas aos sonhos, sonhos que as palavras não conseguem descrever porque ficaram amarradas no tempo. Que interessa uma vida sem prazer? Que interessa amealhar pequenas fortunas, se tudo que se acumula são infortúnios? Que interessa o dinheiro se não posso viver com prazer? Fechou as janelas e deitou-se na esperança que durante o sono encontraria sonhos antigos. Só perdendo-se nos sonhos encontraria o caminho feito de desejo. A força dos sentidos são os trilhos do sonho. A solidão não é para os sentidos é para o pensamento e isso não é viver com o corpo...é a prisão da alma.Que interessa se a mente está viciada na prospectiva de arquitecturas futuras quando o corpo pede vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeceu. Sonhou com todos os homens a quem tinha vendido os seus serviços, muitos dos quais não se lembrava, e de todos tirou prazer que na realidade não tinha sentido. No fim do sonho todos os homens se fundiram num só, no último que a tinha visitado. Acordou assustadoramente húmida, ainda ébria de sonho sentia que amava e desejava aquele homem de rosto indefinível. Agora via porque não se recordava dele, de qualquer traço do seu rosto, ele era todos os rostos, era todos os homens que estranhamente repugnava, mas viciantemente almejava essa união.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um novo fim de tarde, princípio da noite, aconteceu. Marta atendeu os seus clientes com olhos fechados tentando absorver todos os obscuros desejos lascivos, raivas, obscenas exibições,…. Não precisou simular sorrisos, o seu encanto era natural, mas não escancarou a sua sinceridade para não afugentar clientes. Espreitava-lhes a alma, agora que tinha deixado de esconder a sua via a dos outros. Se fosse noutros tempos talvez vomitasse de nojo, agora não, agora rasgava trevas como se de uma viagem se tratasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de atender todos os clientes, a campainha tocou novamente. Abriu-se a porta, entrou o estranho homem. Beijou Marta, fizeram amor intensamente. Marta sentiu um enorme prazer, orgasmos electrizantes que lhe extraíam todas as frustrações todos os medos, todas as raivas os mais dissimulados segredos. Sentia toda a sua alma espionada, mas não se importava, agora tinha a alma vestida de prazer, roupas coloridas de vida. O delírio do prazer acabou e o homem foi embora sem dizer palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta cada vez mais abominava os seus clientes, mas agora empenhava-se em arranjar outros, não por dinheiro mas sim para lhes extrair todas as sórdidas solidões, todos os esgares odientos e principalmente a raiva e a inveja. Os clientes sentiam um enorme alívio na cama de Marta, mas também pressentiam algo desagradável, parecia que ela descobria o grande terror que lhes habitava na memória, os reles pensamentos desconfiados. Mas o vício impulsionado pelo prazer era muito mais poderoso que os desalmados receios. Também Marta estava viciada, precisava dos seus clientes para depois ter o prazer que tanto ansiava com o estranho homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma noite de desenfreado sexo. O homem falou: Eu sou aquele que vive da raiva, do ódio, medo, matança, das infames ambições… E neste momento tu és como eu, precisas dessa sórdida morbidez da alma para viveres como um vampiro precisa de sangue, eu sou Mefistófeles. O verdadeiro inferno existe na vida, não te preocupes que nunca nos faltará comida, por mais fome que a gente tenha os humanos são uma fonte inesgotável da abominação que é o nosso alimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…………………………..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intensa escuridão. Chovia torrencialmente, um cigarro via-se no 5º andar, era Marta que o segurava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Inspirado no poema &lt;a href="http://onzelapsos.blogspot.com/2006/02/mefistoflico-voyeur.html"&gt;Mefistofélico Voyeur&lt;/a&gt; do Al (&lt;a href="http://onzelapsos.blogspot.com/"&gt;http://onzelapsos.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114239628886924612?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114239628886924612/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114239628886924612' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114239628886924612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114239628886924612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/o-caador-de-almas.html' title='O Caçador de almas'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114235638200488563</id><published>2006-03-14T18:10:00.000+01:00</published><updated>2006-03-14T18:13:02.033+01:00</updated><title type='text'>?????????</title><content type='html'>…………………..&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;- Mas sabe o amigo, com todo o respeito, que há muito mais associações para gays que para grávidas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Sei e acho bem que assim seja…&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;- ??????????&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Repare que uma mulher só está grávida durante nove meses e um gay está gay toda a vida…&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;-E então uma mãe, uma mãe não fica mãe para o resto da vida?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Ser gay é mais natural que ser mãe…&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;-?????????&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Um gay nasce sempre gay, uma mãe nunca nasce mãe, nasce filha. Ser mãe é uma opção que mais tarde tomará ou não.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;- Ah!!! Agora compreendo porque o casamento não tem nada a ver com ter filhos ou não, ter filhos é uma opção …………………..    Não!!! Mas espere aí, ninguém nasce casado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Casar é uma opção natural.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;-?????????????&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;………………………….&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114235638200488563?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114235638200488563/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114235638200488563' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114235638200488563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114235638200488563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/blog-post.html' title='?????????'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114229202108553762</id><published>2006-03-14T00:19:00.000+01:00</published><updated>2006-03-14T00:20:21.146+01:00</updated><title type='text'>Soltos(I)</title><content type='html'>Se tivéssemos uma memória maior, esqueceríamos mais facilmente os erros dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a nossa memória fosse um livro aberto a todos, estaríamos sempre a tentar emendar os erros do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse exigido a todos os grandes humanistas (assim reconhecidos) deste século, através de um método qualquer, extrair as suas memórias para enriquecimento da humanidade, alguns destes preferiam primeiro fazer uma lavagem ao cérebro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114229202108553762?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114229202108553762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114229202108553762' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114229202108553762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114229202108553762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/soltosi.html' title='Soltos(I)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114217196315871735</id><published>2006-03-12T14:58:00.000+01:00</published><updated>2006-03-12T14:59:23.190+01:00</updated><title type='text'>O Relógio</title><content type='html'>Isidoro tinha medo que o tempo passa-se. Tinha medo de não conseguir fazer algo digno de registo. Olhava constantemente para o relógio, com medo de deixar passar o tempo sem nada fazer. O medo cresceu, uma obsessão apoderou-se de Isidoro…. olhava exclusivamente para o relógio. E a contagem decrescente prosseguia sempre ao mesmo ritmo, segundo a segundo, dia após dia….&lt;br /&gt;Anos se passaram, Isidoro achou que já não tinha tempo e perdeu o medo, mas continuava a olhar para o relógio porque estava viciado ou porque se tinha habituado e não sabia fazer mais nada. Gostava de recordar o tempo em que fora criança, que brincava e não sabia ver as horas. Enquanto criança não fazia planos ou arquitecturas para o futuro, só existiam noites e dias. Agora enquanto o relógio consumia os dias, tinha quase a certeza que não existia futuro… o tempo é sempre igual, é um ciclo que se repete de 12 em 12 horas, a única diferença é a quantidade de luz que varia alternadamente… dias e noites. A única frase que Isidoro dizia: “ Em criança sabia mais que agora.”&lt;br /&gt;No manicómio, assim os populares lhe chamavam, onde vivia, nunca ninguém reparou nos problemas de Isidoro, talvez porque cada médico, cada enfermeiro tivesse o seu próprio tempo, tivesse o seu próprio relógio. Isidoro também tinha o seu próprio tempo, talvez com mais consciência do que outra pessoa qualquer, o seu tempo psicológico era igual ao seu tempo biológico, que achava igual ao tempo físico.&lt;br /&gt;O relógio parou. Isidoro morreu, o seu relógio era um relógio que media o tempo através das pulsações…&lt;br /&gt;Quem herdou o relógio foi o sobrinho Inácio, amigo da pândega e do mulherio.&lt;br /&gt;Colocou o relógio no pulso e logo começou a fazer projectos para o futuro. A ansiedade aumentava de dia para dia… tinha um objectivo claro para um futuro breve, ficar rico e famoso. Quanto mais o tempo passava menos probabilidade tinha de atingir o seu objectivo. Olhava constantemente para relógio … continuava a medir o tempo em espaços cada vez mais curtos…. Media o tempo segundo a segundo.&lt;br /&gt;Quem sentiu a sua falta, a de Inácio, foi a Rita. Ainda bem que o fez, que o homem estava completamente vidrado no maldito relógio. Dançaram os dois como se fossem um só, dançaram na pista dos lençóis brancos ao som da música dos desejos secretos, aumentaram o volume até ao limite das suas forças físicas…&lt;br /&gt;Inácio, até ter aquele relógio media o tempo, pelas distância entre cada foda… ou um outro qualquer prazer menor… «Maldito relógio que quase arruinava a minha vida, a minha riqueza é o amor e a música de cada momento. O futuro são o adicionar de novos momentos, e se planos para o futuro faço é porque cada plano é um momento que guardo com alegria…. mesmo que não se realize, o plano, terei dele lembrança… De trabalho, comida e bebida também é o homem feito….», pensou Inácio.&lt;br /&gt;Quando Rita se foi embora, Inácio ganhou coragem porque era um objecto atraente, partiu o relógio. Partiu e viu, do interior, sair uma luz, parecida como seu tio maluco. Viu fogo, ou julgou que viu porque tudo isto foi um breve momento, e viu o Diabo, como se todo o Inferno estivesse contido naquele maldito relógio… deitou o relógio ao rio, que se o diabo gosta de fogo não deve gostar muito de água… e mais que não fosse aquele relógio havia de ficar perdido no tempo…&lt;br /&gt;Ainda bem que o prazer o tinha safo de um fogo eterno….&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114217196315871735?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114217196315871735/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114217196315871735' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114217196315871735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114217196315871735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/o-relgio.html' title='O Relógio'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114202479519846829</id><published>2006-03-10T22:02:00.000+01:00</published><updated>2006-03-10T22:08:11.063+01:00</updated><title type='text'>Apetece-me</title><content type='html'>&lt;a name="113715267793226558"&gt;&lt;/a&gt;Porque hoje reli e achei mais piada do que quando escrevi, porque pode haver quem ainda não tenha lido, porque não me apeteceu escrever, ou simplesmente porque me apeteceu voltar a editar, aqui fica mais uma vez o :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amor sem fronteiras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Numa época em que a igualdade de direitos sofreu uma grande evolução, havia ainda muito por fazer.Alvor, guardador de rebanhos, pastor de cabras, vivia já há vários anos com seu irmão, Dionísio: «Que diabo», pensava Alvor, «Somos cidadãos que pagamos os impostos que nos são tributados, cumprimos os nossos deveres, porque razão, não podemos ter os mesmos direitos que os cidadão casados?», «Por acaso existirá maior amor que o nosso?»,O facto de, duas pessoas não terem relações sexuais, não os podia impedir de usufruir o direito ao casamento, bem pelo menos, foi assim que o Supremo Tribunal sentenciou. Alvor e Dionísio casaram, ao casarem adquiriram o direito de se poderem divorciar, facto que haveria de acontecer dois anos mais tarde.Alvor vivia agora apenas com a companhia do seu rebanho, tinha-se apaixonado pela Cinzenta, a cabra mais bela do rebanho. Alvor era um homem com princípios éticos e morais bem vincados, mas religiosos acima de tudo portanto sexo antes do casamento nem pensar.Estamos num tempo em que praticamente as florestas desapareceram, animais selvagens existiam apenas em zoo, em compensação a LIGA DE PROTECÇÃO DOS ANIMAIS tinha ganho poder, comprovado pela maioria de lugares assegurados no parlamento. Pois bem, foi essa mesma maioria que decretou, que qualquer humano poderia contrair matrimónio com qualquer espécie animal, isto, está claro, desde que o matrimónio não apresente riscos visíveis para o animal, dando assim importância prática ao slogan – frase chave que permitiu ganhar as ultimas eleições – “Os animais são muito mais que nossos amigos.”Os casamentos, entre homens e animais, principalmente entre homens e vacas, começaram a acontecer de forma exponencial, algo que confundiu muita gente foi a razão da preferência por este animal, menos os exploradores do mercado.Alvor e Cinzenta, viviam felizes, no entanto faltava algo na sua relação, um filho, sim um filho o desejo de qualquer casal, quase tão rápido como o desejo de Alvor foi a decisão do parlamento, que os casais zoófilos poderiam adoptar animais bebés, mas só se fossem crias de animais em vias de extinção, assim a preservação de algumas espécies estava assegurada, mas como todos os animais, pelo menos mamíferos, estavam em vias de extinção isso não gerou qualquer entrave. Assim sendo Alvor e Cinzenta adoptaram um Tigre de Benguela, reinava o orgulho dos dois ao verem o seu pequenino a crescer em cada dia que passava.Os exploradores de mercado começaram a criar clínicas de cirurgia estética para cabras, cujo grande especialidade era a implantação de silicone em cabras, criou-se assim a ideia que os humanos preferiam as vacas por causa do tamanho das mamas. E que havia muitos benefícios para os animais pois assim agradavam muito mais o seu parceiro, impedindo muitas vezes a violência doméstica, este argumento verdadeiro ou não possibilitou a aquisição de licenças para o desenvolvimento do negócio.No entanto havia quem argumenta-se que melhor que agradar aos outros seria, as pessoas ou animais, que em primeiro lugar deveriam era sentir-se bem consigo próprias, «E porque não corrigir pequenos infortúnios da natureza, com uma cirurgia ao alcance de todos?».Ao alcance de todos tornou-se apenas, quando estas cirurgias ficaram consagradas no Plano de Saúde, para delírio de muitas fêmeas, que podem agradecer ao prestígio e poder da Ordem dos Cirurgiões Plásticos que substitui a extinta, e não menos nobre, Ordem dos Médicos.Ora, não foi o motivo estético que levou Cinzenta a recorrer a uma dessa clínicas, embora do agrado do marido, mas sim a necessidade de produzir mais leite de forma a poder amamentar o seu filhote.Quem tem motivos para lá da parte estética é a recém criada Liga de Protecção dos Humanos, cujos membros foram outrora crianças órfãs. Esses motivos, que ainda pouca gente aceita, mas apoiantes são cada vez mais, prende-se com a evidência de existirem mais crianças órfãs que animais para adoptar.Das boas intenções de Cinzenta ninguém duvida, mais duvidosa foram os benefícios para a saúde dos implantes de silicone, se havia quem levantava a voz ao slogan - “mamas sãs em corpo belo”, não é menos verdade que vozes de inveja a poucos ouvidos chegavam, e mesmo quando chegavam , «O que valia a saúde comparada com um bom par de mamas?». Seja como for, Cinzenta não produzia leite para amamentar o seu mais que tudo, e teve que retirar o implante. O caso surgiu num jornal extremista, extremista para alguns, preconceituoso para a maioria. A maioria afirmava, e quando não afirmava pensava, que Cinzenta teve que tirar o seu implante, devido a ter ficado sem uma teta quando apareceram os primeiros dentes do seu filho.As eleições aproximavam-se, as sondagens continuavam a dar a maioria ao PILPA (Partido Internacional da Liga de Protecção dos Animais), o PD (Partido dos Dentistas) vinha em segundo lugar, tinha angariado muitos apoiantes desde que assumiu como sua causa, a «desdentação» das crias mamíferas, e depois da amamentação, ai sim, uma implantação dentária nas crias. O PLPH (Partido da Liga para a Protecção dos Humanos), tinha como causa principal pela igualdade de direitos na adopção por parte dos casais zoófilos de crianças em relação a outras crias mamíferas.Alvor e Cinzenta acabaram por se divorciar, O divórcio destes litigiosos, mereceu um acompanhamento especial pelas televisões, os advogados de defesa de Cinzenta , argumentavam, que o pedido de divorcio por parte de Alvor tinha como motivo o facto de Cinzenta ter uma teta a menos, e descriminação de animais portadores de qualquer tipo de deficiência era considerado crime.Já o advogado de Alvor argumentou que o pedido de divórcio se devia apenas à falta de comunicação que existia entre o casal, facto fácil de provar visto que Cinzenta não articulava palavra. O tribunal acabou por dar razão a Alvor e este ficou livre de pagar qualquer indemnização por danos morais. Alvor ainda acabou por lucrar pois acabou por vender Cinzenta na feira, coisa apenas permitida antes do casamento ou então apôs divórcio, como foi o caso.Os divórcios entre humanos e animais tornaram-se constantes, o ditado popular mais utilizado, que estava na moda, era: “Vaca que não dá leite feira com ela”, Se bem que tudo tenha começado com uma cabra …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="113715219001622504"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114202479519846829?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114202479519846829/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114202479519846829' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114202479519846829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114202479519846829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/apetece-me.html' title='Apetece-me'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114194625167808261</id><published>2006-03-10T00:15:00.000+01:00</published><updated>2006-03-10T00:17:31.716+01:00</updated><title type='text'>Decisões Absurdas (VI)</title><content type='html'>O Grande Escritor estava plenamente convicto que a solidão é a eterna companheira do génio. Foi viver para uma cave, dedicando-se inteiramente ao silêncio das suas palavras, que um dia seriam a voz do mundo. O único elo que mantinha com a realidade era um pequeno orifício, onde uma criada, já velha, lhe depositava comida e roupa lavada…. Viveu dois anos assim, em perfeito isolamento dando asas aos seus brilhantes pensamentos.&lt;br /&gt; Certo dia olhou-se ao espelho e viu que a sua escrita lhe tinha consumido a carne…. Não se reconhecia, a memória de uma vida jovem não passava de efémeras lembranças…. E foi ai que teve o seu maior pensamento, segundo ele, «A escrita é o vício da alma para se afastar da solidão, e o verdadeiro génio é aquele que ama a solidão. O verdadeiro génio é aquele que tira prazer da solidão.» Mais que escritor queria ser génio, tinha que destruir o vício da escrita. Tão dependente que estava da escrita que a única ideia que teve para por fim ao vício foi amputar a mão direita.&lt;br /&gt;Suicidou-se quando descobriu que o seu único prazer na solidão era a masturbação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114194625167808261?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114194625167808261/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114194625167808261' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114194625167808261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114194625167808261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/decises-absurdas-vi.html' title='Decisões Absurdas (VI)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114193525058517291</id><published>2006-03-09T20:41:00.000+01:00</published><updated>2006-03-09T21:17:49.833+01:00</updated><title type='text'>Preconceitos</title><content type='html'>Bem, ouço frases como esta:" Quem é cientista, ou quem tem espírito de investigação, não pode acreditar em Deus, pois isso seria ir contra o seu próprio trabalho e não é lógico acreditar Nele..." e ainda tem a lata de dizer que é um raciocínio lógico..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu a isto chamo um grande preconceito( para não chamar ignorância) maior que o fanatismo religioso...&lt;br /&gt;Quem afirma uma coisa destas até pode ser cientista, até pode ser investigador, mas nunca perceberá nada de ciência... nem tão pouco de investigação... apenas tem um cargo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para dizer que enquanto houver espaço para a ciência há sempre espaço para Deus....&lt;br /&gt;Que eu saiba a ciência todos os dias abre novas portas, e quanto mais se descobre maior é a consciência que há mais para conhecer... Que o diga a física e a matemática que quando uma avança a outra também avança.... Novas teorias matemáticas tem vindo cada vez mais a desenvolver novas teorias físicas... e o contrário também é verdadeiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto há sempre espaço, e esse espaço é cada vez maior, para o desconhecido...&lt;br /&gt;Daqui é fácil concluir que o espaço de Deus, ou a morada ou o seu corpo (pela simples leis físicas que conhecemos até agora) possa estar no desconhecido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então puramente ilógico um cientista dizer que não acredita em Deus... um cientista que seja cientista não pode dizer isso, evidentemente que também( enquanto cientista) não pode dizer que acredita...&lt;br /&gt;As coisas passam a ser ( na ciência) verdadeiras quando existe prova... ou pelo menos uma forte possibilidade com uma margem de erro muito pequena... margem de erro que é volátil e que acaba por se tornar verdadeira muitas vezes dai o continuo avanço da ciência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grandes cientistas tinham fé em Deus como Albert Einstein Thomas Edison, claro que ter fé é diferente de acreditar cientificamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja um cientista pode sempre acreditar em Deus sem por em causa o seu trabalho, basta ver Deus como o desconhecido... e quere descobrir Deus...&lt;br /&gt;Mas também pode não acreditar...&lt;br /&gt;Agora o que o cientista não pode dizer é que não acredito em Deus porque não é lógico... pois ilógico é o raciocínio que o levou a essa conclusão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cientista nunca pode é dizer que Deus existe nem nunca pode dizer que Deus não existe, até descobrir tudo o que houver por descobrir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto só para dizer que anda por aí muita gente armada em detentores da filosofia... que ainda por cima influeiciam outros....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Não tenho qualquer religião.... agora não é por isso que vou andar por ai a dizer que Deus não existe sem provas para tal e ir abalar a fé das pessoas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114193525058517291?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114193525058517291/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114193525058517291' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114193525058517291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114193525058517291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/preconceitos.html' title='Preconceitos'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114178872082619414</id><published>2006-03-08T04:25:00.000+01:00</published><updated>2006-03-08T18:44:07.680+01:00</updated><title type='text'>Link</title><content type='html'>Hoje fui o convidado do &lt;strong&gt;Quarta (raio me parta)&lt;/strong&gt; em &lt;a href="http://claronoescuro.blogspot.com/"&gt;http://claronoescuro.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O EU convidou-me e eu aceitei com muito gosto e orgulho.&lt;br /&gt;Não liguem muito aos elogios que o EU me fez, é que ele tem um coração enorme e às vezes cai no exagero... Bem vão lá ver, se assim o desejarem...&lt;br /&gt;Abraços&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nota: Prefiro que deixem comentários no blog do Eu (isto se relacionado com o texto que lá escrevi) ( &lt;a href="http://claronoescuro.blogspot.com/"&gt;http://claronoescuro.blogspot.com/&lt;/a&gt; ), não me lembrei de deixar esta nota, mas agora editei e já esta...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114178872082619414?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114178872082619414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114178872082619414' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114178872082619414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114178872082619414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/link.html' title='Link'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114169740142470679</id><published>2006-03-07T03:06:00.000+01:00</published><updated>2006-03-07T05:49:47.893+01:00</updated><title type='text'>Guerreiro do Coração(III)</title><content type='html'>Os cumes das montanhas sorriam aos primeiros raios da madrugada. Em baixo, na planície, um rato, vasculhando cada pedaço de caminho. O Beija-Flor olhava, enquanto esperava o sol. À frente, dois metros à frente do rato, uma bolota, sem dúvida, aquilo que o rato buscava. Porque não iria logo, o rato, directo à bolota?&lt;br /&gt;Não sabia, não percebia nada de ratos. Nem era agora tempo de aprender, tinha de treinar para conquistar a sua amada - Margarida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raios doirados, ainda a cheirar a orvalho, chegavam lentamente às flores do solo que se erguiam magicamente. Os raios são os dedos de um amante que tenta desesperadamente tocar a mão da sua amada. O amor busca a beleza que tem um poder magnético sobre os fascínios do coração. O Beija-Flor sentia o amor entre o sol e as flores com todas as suas penas, com o bico, com os olhos…. Os sentidos são belos, repletos de aroma, cor e brilho. A energia do amor é a harmonia da cor. Queria mostrar a Margarida todas as cores do mundo.&lt;br /&gt;A alegria do corpo manifesta-se na exibição da plumagem, a maior beleza é aquela que se vê. Encantaria Margarida com a sua plumagem. Bastaria um olhar, um simples olhar de Margarida, e todas as cores do Beija-Flor entrariam na alma dela.&lt;br /&gt;As flores são sementes de cor depositadas nas terras misteriosas da alma, regadas pelas águas do pensamento, colhidas pelos dedos da imaginação, moídas pelos moinhos do sonho… A cor é o pão do amor. Amor, o doce canto dos ouvidos, a delícia da vista, o beijo aromático do olfacto, arrepios doirados estampados nas penas, delírios do bico…&lt;br /&gt;O sol erguia-se nas alturas irradiando carícias de cor, difundido sombras de prazer silencioso.&lt;br /&gt;O Pavão exibia as suas resplandecentes penas espalhando beleza. O Beija-Flor queria aprender com o Pavão a colocar as penas em leque. O Pavão disse:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que seria da floresta sem flores? A beleza é necessária como a madruga, ela fascina, cobre o mundo com o seu orvalho de magia, como se fossem lágrimas de encanto. Respirar magia é a louca fantasia da alma. Olhos que não vêem as misteriosas maravilhas da aparência são cegos, não vêem para lá do seu bico, são olhos que prendem a alma. O verdadeiro mistério está no visível….&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O Beija-Flor ouviu com atenção e treinou, treinou até que as suas penas fizessem um precioso leque.&lt;br /&gt;Procurou o Pirilampo e com ele aprendeu a acumular energia para jogar com as cores quando o sol faltasse. Com o Camaleão a harmonia da cor com a natureza.&lt;br /&gt;Sentir é o pincel do pensamento, o sol a tinta, a imaginação a refracção da luz, as penas a tela.&lt;br /&gt;O Beija-Flor percorreu todas as flores, todas as cores do violeta ao vermelho fazendo da alma o arco-íris. A alma o templo da magia. A alma e o corpo são um só, com a ajuda do sol levaria a magia da cor à pele e da pele às penas.&lt;br /&gt;Levantou-se um poderoso vento que empurrou nuvens. A cor cinzenta apoderou-se do mundo. O vento parecia querer arrancar-lhe toda a beleza. O Beija-Flor deu duas voltas à faia e pensou:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«O apaixonado sem coragem queixar-se-ia do vento, do sol e da chuva. O apaixonado coberto de optimismo confiaria que o vento é passageiro e que o sol depressa regressaria. Eu aprenderei a ajustar as penas ao vento por mais bravio que este seja e a explorar todas as cores do sol por mais fraco que esteja pois tenho reservas de energia. O amor é uma fonte de energia inesgotável.»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Beija-Flor voou alto, voou ao encontro da sua amada. Passou pelo rio e viu um lindo cisne branco a mirar-se na água. O reflexo do cisne parecia olhar para o céu, parecia que lhe desejava boa sorte.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Quando dominar completamente as cores, a minha alma será o meu corpo, e poderei sempre que me apetecer ser branco como o cisne.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Chuviscava, gradualmente chovia, e o Beija-Flor chegou ao pé de Margarida. Preparava-se para abrir a sua alma em leque, quando sentiu uma terrível bicada no dorso. Era outro beija-flor, o beija-flor que agora dominava aquele território. O Beija-Flor teve que fugir, mas não como um covarde. O Beija-Flor sabia agora que o medo é a cor da prudência. Covardia não é ter medo de lutar, covardia é não aprender a lutar, desistir de amar. &lt;em&gt;«Já tive medo das alturas e aprendi a voar.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A chuva esvaziara as nuvens, o sol raiava, cheirava a frescura. O Beija-Flor voava alto, olhou para baixo e viu a Girafa que bebia água. Nunca tinha reparado que a Girafa pudesse ficar tão vulnerável, com o seu pescoço ao alcance de qualquer predador. &lt;em&gt;« Por vezes desejamos tanto expandir a nossa espiritualidade que nos esquecemos das coisas essenciais: Somos acima de tudo criaturas físicas.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Beija-Flor viu o rato, num lugar distante de onde o tinha encontrado de madrugada. Curioso foi ver se este tinha encontrado a bolota. A bolota continuava no mesmo sítio, perplexo aproximou-se e viu uma cova ao lado da bolota. Uma cova, o ninho de uma serpente.&lt;br /&gt;«&lt;em&gt; O amor é cego, embriagados com o seu fascínio queremos ver tão amplamente que descuidamos o detalhe passando por cima do óbvio.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;O caminho que leva ao amor tem que ser conquistado palmo a palmo.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Aninhou-se na sua árvore preferida o cipreste, lembrou-se vagamente das palavras da Tartaruga e partiu pelos caminhos do sono. Sonhos coloridos de amor…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Contínua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114169740142470679?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114169740142470679/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114169740142470679' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114169740142470679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114169740142470679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/guerreiro-do-coraoiii.html' title='Guerreiro do Coração(III)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114160355727716751</id><published>2006-03-06T00:36:00.000+01:00</published><updated>2006-03-06T01:07:48.540+01:00</updated><title type='text'>Injustiças</title><content type='html'>Hoje vou fugir ao habitual deste blog...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;Porque ontem ouvi uma frase... que pode também confundir muita gente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem a frase dita... em relação ao possível encerramento da maternidade de Mirandela&lt;br /&gt;A frase dita:&lt;br /&gt;" Nascer uma ou duas crianças por dia, não é razão suficiente para manter uma maternidade..., não é eficiente, Para menter uma meternidade aberta é preciso uma equipa médica de 8 em 8 horas... gasta-se muito dinheiro..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o problema é o dinheiro aqui ficam algumas notas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Trá-os- Montes não é parasita de Portugal, ao contrário do que muita&lt;br /&gt;gente, mal informada, pensa...&lt;br /&gt;- Á maior parte da energia eléctrica produzida em Portugal, é produzida em Trás- os- Montes..., só por si já diria tudo... mas há mais&lt;br /&gt;- Mirandela é o concelho que mais azeitona produz, sendo o azeite de Mirandela o melhor( ou dos melhores); Trás- Os-Montes é a região que produz mais azeitona...&lt;br /&gt;- Somos os maiores produtores de castanha...&lt;br /&gt;- O Vinho do Douro, é todo produzido em Trás-os -Montes, como as uvas do Vinho do Porto&lt;br /&gt;- Somos doos maiores produtores de amêndoa&lt;br /&gt;- Somos grandes produtores de cereja, mel, cortiça&lt;br /&gt;- A maçã de Carrazeda é a melhor do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisas que nos tiram ou não nos dão, fazendo com que a região se desertifique:&lt;br /&gt;- Estradas, tirando o IP4 (estrada da morte) não temos uma unica estrada de jeito&lt;br /&gt;- Os verdadeiros insolares somos nós e não a Madeira&lt;br /&gt;- Escolas, hospitais, etc.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo na situação actual há mães que tem que andar 80 a 90 Km para poderem ter um filho... acham justo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dinheiro para dar a Trás-os-Montes, mas nós oferecemos muito ao pais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o estado quisesse Trás-os-Montes não ficava deserto como cada vez mais está a ficar... se houvesse algumas oportunidades de trabalho, que podia haver sem qualquer dúvida, visto sermos autosuficientes, não sairiamos de lá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal queixa-se dos bairros de lata nas redondezas das grandes cidades mas não se faz nada para combater isso... o combate à desertificação era sem dúvida o caminho...&lt;br /&gt;Não que os transmontanos vão para bairros de lata, a grande maioria dos transmontanos safa-se sempre, porque são pessoas trabalhadoras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem já chega&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114160355727716751?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114160355727716751/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114160355727716751' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114160355727716751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114160355727716751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/injustias.html' title='Injustiças'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114127492796849250</id><published>2006-03-02T05:47:00.000+01:00</published><updated>2006-03-02T06:15:06.740+01:00</updated><title type='text'>O guerreiro do coração (II)</title><content type='html'>O Beija-Flor dormia profundamente enquanto os seus sonhos o conduziam para espessas neblinas. Os sonhos viraram pesadelos. Sonhou que a sua amada nunca olharia para ele, que o rejeitaria. Abriu os olhos sobressaltado dos tormentos do sono. Por entre a rama dos arbustos uma luz verde rompia a escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração do Beija-Flor batia assustado, o medo espalhava-se em tremeliques de pânico por todo o corpo. A pequena luz verde parecia um dos olhos de um terrível predador, paralisado o Beija-Flor, escondido atrás de pequenas folhas, olhava hipnotizado para a luz. A luz desapareceu sorrateiramente entre a folhagem, naquela noite não adormeceu mais, ficando sempre de alerta, na escuridão mais assombrosa que tivera.&lt;br /&gt;Amanheceu, o céu estava cinzento. «As nuvens são os pesadelos do céu», pensou. Voou, ainda possuído pelo medo, para ver aquela que amava. Margarida era aquela que amava. Tremia tanto que não conseguia exibir a sua plumagem. Por ali outro beija-flor tentava também cortejar Margarida. O Beija-flor tremia de medo, a sua única reacção foi fugir como um covarde quando o outro o desafiou. O Beija-Flor provavelmente perderia o amor de Margarida, certamente perderia o seu território.&lt;br /&gt;Voou, bateu as asas até não poder mais. Chovia torrencialmente. O céu chorava com ele. Abrigou-se debaixo de um salgueiro, onde curaria o seu choro. «Passa o choro e o medo fica, que será de mim agora?» Felizmente conhecia a Srª Tartaruga, que era velha e sábia, que lhe daria um bom conselho como sempre fez. Enquanto caminhava pensou no Amor que tanto ambicionara e que de momento parecia um grande mal sem cura. A desventura que vivera retirou-lhe as ilusões que se derramavam em lágrimas. Sentimentos que outrora eram campo de sonhos coloridos murchavam numa agonia cruel. Uma agonia que torturava o espírito.&lt;br /&gt;O sol começava a exibir timidamente os seus raios doirados. Passou por flores de camomila e sorveu o seu néctar, recuperou alguma alegria espiritual numa ténue sensação de leveza e relaxamento. Encontrou a Sr.ª Tartaruga a saborear o sol. Contou-lhe tudo que se passara. A Tartaruga muito calmamente disse-lhe:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A paciência é uma virtude, mas esperar não é sinónimo de passividade, esperar é treinar, é colocar todas as nossas energias para aprendermos, é treinar com persistência para quando chegar o momento certo estarmos preparados para agir.&lt;br /&gt;Amor e paciência são o lento caminho da sabedoria. O medo é mais rápido que o amor. Se as raízes do medo infectarem o teu coração, tu destruirás aquilo que estiver à tua volta e acabarás também por te autodestruir. O amor é delicado precisa de atenção e carinho. O amor é como a flor, é pelo beijo que absorvemos o seu néctar. Não te podes deixar dominar pelo medo, tens que cultivar a coragem.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A Srª Tartaruga era muito velha, falava de um modo muito confuso. O Beija- Flor não compreendeu tudo mas sabia que tinha de ser corajoso, que não podia desistir, não podia deixar que o medo o dominasse. Lembrou-se que quanto mais tinha julgado Margarida mais se tinha afastado do amor e mais se aproximara do medo e do ódio. Quem ama não pode ser indiferente à guerra. Guerra contra o medo, contra o ódio. É preciso coragem para amar.&lt;br /&gt;O sol brilhava. Esperar é que o Beija-Flor não queria, tentou a sorte, escavou a terra procurando um tesouro que aparece-se por acaso, um tesouro que fizesse do riso uma coisa vulgar, que trouxesse uma felicidade eterna. Escavou com toda a força, com tanta força, que cortou o rabo a uma minhoca. Ficou assustado, olhou com pena para a minhoca, olhou intensamente e viu que esta se regenerava lentamente, compreendeu, naquele momento, um pouco melhor as palavras da tartaruga.&lt;br /&gt;Ao sol um pavão exibia as suas lindas penas, a seu lado um insecto sem qualquer brilho. « Se tivesse as penas do pavão talvez Margarida me amasse.», pensou.&lt;br /&gt;Entardecia lentamente, o Beija-Flor voou até ao cume do cipreste, sentia-se alto e seguro, dali teria coragem para enfrentar a luz verde. O vento do Norte trouxe uma noite fria e estrelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Beija-Flor permaneceu sempre acordado, com um pouco de medo e ansiedade é certo, mas com a coragem necessária para ver aquela misteriosa luz verde que começava a reluzir entre a folhagem. Respirou fundo, encheu o peito de coragem e voou até se aproximar o suficiente para desvendar o mistério. Era um simples insecto, inofensivo, que reluzia. O Beija-Flor perguntou-lhe o nome e este respondeu: «Pirilampo.»&lt;br /&gt;O Beija-Flor estava orgulhoso da sua coragem. O medo por vezes deturpa-nos a vista. Talvez Margarida não se apaixone só pela vista. Adormeceu navegando pelo mundo dos sonhos. Amanhã seria um óptimo dia para começar o seu treino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114127492796849250?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114127492796849250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114127492796849250' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114127492796849250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114127492796849250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/03/o-guerreiro-do-corao-ii.html' title='O guerreiro do coração (II)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114116562050273892</id><published>2006-02-28T23:24:00.000+01:00</published><updated>2006-02-28T23:27:00.656+01:00</updated><title type='text'>Desculpa</title><content type='html'>Este blog tem ficado ao abandono, por motivos de trabalho.&lt;br /&gt;Amanhã regressa à normalidade, o blog,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços para todos e desculpem não ter avisado antes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114116562050273892?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114116562050273892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114116562050273892' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114116562050273892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114116562050273892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/desculpa.html' title='Desculpa'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114075169777619031</id><published>2006-02-24T04:24:00.000+01:00</published><updated>2006-02-24T16:08:11.043+01:00</updated><title type='text'>O guerreiro do coração (I)</title><content type='html'>Via a flor de lótus abrir-se e voltar-se para o dia que nascia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincava com o vento, fazia piruetas no ar, exibia a sua plumagem colorida e brilhante ao sol, fazia malabarismos e dava cambalhotas. Gostava do vento intenso do Norte, dava-lhe força e resistência. Cantava e dançava jogos de cor e alegria entre as flores. O seu coração, mais rápido que um relâmpago, atingia as 2000 vibrações por minuto. O Beija-Flor amava a vida. Logo pela manhã adorava sentir as brisas aromáticas, olhava o salmão que subia o rio, não se deixava levar pela corrente, por mais impetuosa que esta fosse, o salmão tinha vontade própria. O Beija-Flor aprendia muito com o salmão, batia as asas criando o seu vento, ia para onde queria. Passava pelo limoeiro para respirar a sua verdura e vitalidade. Passeava pelo bosque, contornava árvores, ouvia o rio, banhava-se no orvalho matinal e secava-se nos raios de sol.&lt;br /&gt;O seu coração batia ávido de delírios e desejos de cor. Acelerava as asas em velocidades vertiginosas, vagueando em contornos coloridos, depois abrandava em suaves fragrâncias, mergulhava o bico em doces néctares, sorvendo aromas em beijos de prazer. Sentia-se o correio genético das flores e estava feliz, caçava instantes como se fossem pétalas. Entregava os seus enigmas, medos e devaneios ao vento que saberia o que fazer com eles.&lt;br /&gt;Freneticamente as asas digeriam prazeres que raiavam na alma. Sereno o corpo, liberta-se a mente em contemplação, olhava para as flores da acácia e lembrava-se de um amor secreto e sentia paz e serenidade, o amarelo doirado como bolas de oiro transmitiam riqueza, felicidade, mas também mistério, não podia beber do seu néctar pois era venenoso. Sabia também que o antídoto para o veneno era as próprias raízes da acácia, chamava-lhe a árvore da vida pois a vida é feita de contrários, aprendia com a acácia que para todos os males há uma cura por mais enterrada que esteja. O brilho das suas flores cegavam como o sol, não se pode olhar sempre na mesma direcção pensou. E dela por mais pureza alucinante e real que se tenha, o coração continua a vibrar por novos desejos.&lt;br /&gt;Subiu ao topo do cipreste e por momentos sentiu-se imortal. Desceu entusiasticamente, relaxou o corpo nas flores do absinto numa atmosfera de paz e tranquilidade e embriagou-se com a imensidão do céu azul. Descansou. Ganhou forças voou para a laranjeira e por momentos uma onda de vitalidade percorreu-lhe o corpo, parecia que tudo se podia realizar. Percorreu todas as flores, respirou perfumes, voou para trás, para o lado, para a frente…&lt;br /&gt;Ao fim da tarde esfregou o bico em deliciosos morangos, e foi cheio de encanto cantar lindas melodias a quem amava. Esta pouco ligou, ainda não era época, mas não desistiria, amanhã voltaria, que quem ama não desiste.&lt;br /&gt;Antes de se deitar olhou para a Lua, a Lua tem duas faces, é como os sonhos em que uma das partes borbulham ao acordar e a outra ficarão como mistérios ocultos nas estradas da imaginação, no fundo como a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu, já num leve e lento palpebral, a flor de lótus que se fechava para mergulhar na água, também ele fechava os olhos para mergulhar em sonhos. Amanhã seria outro dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(contínua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota1: Dedicado à Alyia&lt;br /&gt;Nota2: Ainda não sei quantas partes são ( no mínimo 3), mas também não interessa visto que cada parte pode ser lida como uma só independentemente das outras&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114075169777619031?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114075169777619031/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114075169777619031' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114075169777619031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114075169777619031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/o-guerreiro-do-corao-i.html' title='O guerreiro do coração (I)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114063820762486810</id><published>2006-02-22T20:53:00.000+01:00</published><updated>2006-02-23T14:20:29.883+01:00</updated><title type='text'>A árvore</title><content type='html'>Jacinto, perfeccionista por natureza, dizia vezes sem conta: “Se queres uma coisa bem feita fá-la tu mesmo.”&lt;br /&gt;Já a dar as últimas, tinha uma doença mortal, repensou toda a sua vida, reparou que dele, para além do seu querido filho, nada nascera que ficasse para além de si, um erro, uma obra, uma simples frase, qualquer coisa que brilhasse ao sol para lá da sua existência. Decidiu que se tinha de morrer o faria pelas suas próprias mãos, uma morte perfeita portanto. A morte é imperfeita por definição, visto acabar com a vida, não podendo contrariar tal facto veio-lhe uma ideia à cabeça: sobre o seu corpo plantaria uma árvore, da morte alimentaria vida, a árvore seria o seu legado algo que cresceria ao sol.&lt;br /&gt;Pediu, num dia em que chovia a cântaros, a Roberto, ainda jovem, que fosse com ele à floresta, para enterrar o seu corpo, este julgou que Jacinto não devia ter os 5 litros bem aferidos, mas como era a última vontade de um condenado lá acabou por aceitar. Roberto enterrou o corpo de Jacinto, sobre a sua campa plantou um amieiro e nada disse, fosse a que alma fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacinto Filho lembrou-se, não se sabe bem porquê, que o seu pai, Jacinto, lhe tinha transmitido, um dia há muitos anos, um desejo – que o seu corpo fosse cremado depois da morte. Também não se sabe porque diabo, Jacinto Filho, julgava que o corpo do pai estava sepultado na floresta, vai daí, sem meias medidas, mandou incendiar a floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amieiro queimado lá consegui rebentar uns ramitos, rejuvenesceu e tornou-se mesmo numa bela árvore maior que todas as outras. Tão grande que quase chegava ao céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacinto Neto, filho de Jacinto Filho, tinha uma horta, coisa pouca, onde cultivava todos os seus comeres. Aí por meados do Verão, uma praga de melros, finos como ratos, depenicavam toda a colheita. Mais esperto que um melro era Jacinto Neto, carpinteiro de profissão, fez um espantalho tão bem feito que a passarada foi pregar para outra freguesia.&lt;br /&gt;Certo dia uma trovoada torrencial que aquilo deitava faísca por todos os lados e chovia ao Deus m’ acuda, levou o espantalho para o ribeiro e daí para o mar. Que cargas d’ água o levaram ao alto mar é que todos desconhecem. Seja como for ainda bem que lá foi parar, ali por aquelas bandas um navio tinha naufragado.&lt;br /&gt;Um padre, naufrago, já velhote viu no meio daquela escura e diabólica tempestade o espantalho. O padre, padre por devoção ou quem sabe por imposição da consciência, agarrou-se com toda a alma ao espantalho e veio dar à costa são e salvo. Milagre! Milagre, disse o padre Roberto.&lt;br /&gt;Quem assim salva, das escuras e tempestuosas profundezas, só pode ser santo, todo o santo tem direito ao seu santuário. Toca então de fazer um santuário ao Santo dos Náufragos. O local para o Santuário é que criou polémica, uns votavam no local à beira mar, por razões óbvias; outros diziam que na montanha é que era, que dali podia ver melhor os navios em perigo. Ganharam os adeptos da montanha, nisto de lugares para santos ganham sempre os que ficam mais perto do céu, tem lógica. Construiu-se então o santuário na montanha mais alta das redondezas.&lt;br /&gt;Jacinto Neto padecia dum mal que lhe consumia a saudinha toda. Nunca foi muito com essas coisas de santos, mas o desespero traz coisas à cabeça que nem ao diabo lembra. Foi com uma grande dor d’alma que visitou o santuário do Santo dos Náufragos, o santo não era propriamente o mais indicado, mas era sem qualquer dúvida o que ficava mais perto. Entrou no santuário e depressa reconheceu o santo, aproximou-se e disse-lhe baixinho: Estou a reconhecer-te! Com que então subiste na vida! Ainda a uns anos eras um espantalho e agora estás ai nesse rico pedestal adornado em oiro! Olha, não invejo a tua riqueza, vamos fazer o seguinte trato: Tu curas-me do meu mal e eu não digo a ninguém que és feito do mesmo amieiro que os sócos que trago calçados.&lt;br /&gt;Regressou a casa, passou pelo tronco que outrora foi o maior amieiro e reparou que deste brotava já um ramito comprido, tirou algumas folhas fez delas um chá que tomou.&lt;br /&gt;Não se sabe se foi o chá de amieiro, se foi o tempo ou o santo, mas a verdade é que o mal passou algum tempo depois. Jacinto Neto, julgou que foi o chá e desde então, nas épocas de secas, vai levando um baldito de água ao amieiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Dedicado ao amor que a Bitta (&lt;a href="http://diariobitta.blogspot.com/"&gt;http://diariobitta.blogspot.com/&lt;/a&gt; ) tem pelas árvores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114063820762486810?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114063820762486810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114063820762486810' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114063820762486810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114063820762486810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/rvore.html' title='A árvore'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114061212317093768</id><published>2006-02-22T13:40:00.000+01:00</published><updated>2006-02-22T13:42:03.796+01:00</updated><title type='text'>Decisões Absurdas (V)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Indeterminação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Grande Matemático estava convicto, outra coisa não seria de esperar, que toda a Natureza se pode compreender pela Matemática e tudo se pode «matematizar». Em primeiro lugar «matematizou-se» a si mesmo e viu que era uma indeterminação. Ao levantar a indeterminação descobriu, sem uma demonstração que pudesse ser aceite, que provavelmente tendia para zero. Para ter a certeza que era um zero concorreu às Presidenciais. Quando ganhou multiplicou-se logo por inúmeras tarefas. O Presidente da República quando chegou ao fim do mandato verificou que qualquer das tarefas, que tinha abraçado, produzira resultados nulos. ( Presidente * Tarefa=0, Qualquer que seja a Tarefa, pensou sem margem para dúvidas que era de facto  um zero.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114061212317093768?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114061212317093768/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114061212317093768' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114061212317093768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114061212317093768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/decises-absurdas-v.html' title='Decisões Absurdas (V)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114052596110266108</id><published>2006-02-21T13:43:00.000+01:00</published><updated>2006-02-21T13:51:34.643+01:00</updated><title type='text'>Decisões Absurdas (IV)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Coerência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Chegado da feira, perguntou:&lt;br /&gt;- Mulher já deste de comer aos cães?&lt;br /&gt;- Já.&lt;br /&gt;- Ó minha grande vaca, então os cães comem primeiro do que eu?&lt;br /&gt;Deu um arraial de porrada na mulher para esta não se voltar a esquecer.&lt;br /&gt;Na feira seguinte, novamente quando chegou a casa, voltou a perguntar:&lt;br /&gt;- Mulher já deste de comer aos cães?&lt;br /&gt;- Não, estava à tua espera para jantarmos.&lt;br /&gt;- Ó minha grande vaca, então estão os cães sem comer até agora?&lt;br /&gt;E voltou a malhar na pobre mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vício&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estava completamente viciado nos seus sonhos, de tal forma que despertar e manter-se acordado era um pesadelo insuportável. Uma vez abateram-se sobre ele terríveis insónias, durante alguns dias, extremamente penosas. Para adormecer tomou um frasco de soporíferos. Dormiu profundamente e inundado em sonhos durante 24 horas. Despertou sobressaltado cheio de suores frios. Repentinamente fechou os olhos para nunca mais acordar. Morreu de overdose.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114052596110266108?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114052596110266108/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114052596110266108' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114052596110266108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114052596110266108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/decises-absurdas-iv.html' title='Decisões Absurdas (IV)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114046926999783412</id><published>2006-02-20T21:59:00.000+01:00</published><updated>2006-02-20T22:01:11.273+01:00</updated><title type='text'>Decisões Absurdas (III)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Negócio Seguro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sempre desejou trabalhar por conta própria. Apenas uma coisa o impedia -  a incerteza, não gostava de coisas inseguras. Se um dia abri-se um negócio era fundamental começar com o “pé direito”, a importância do começo é vital para o futuro do mesmo. Um dia percorreu-lhe a mente o seguinte pensamento: “ A morte é segura, todas as pessoas morrem, todos são potenciais clientes, logo uma funerária é o negócio ideal, o mais seguro”. Abriu uma funerária. Quando no final do dia da inauguração ninguém apareceu resolve forçar o aparecimento do primeiro cliente. Morreu com uma bala na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Precipitação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Detestava medicamentos, sentia uma enorme repulsa por qualquer coisa química. Tinha um problema de disfunção eréctil. Com ajuda de um anel de ferro fundido que colocou no pénis e de um íman resolveu o problema. A sua parceira não ficou satisfeita com o método, não gostava de homens com ejaculação precoce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vozes naturais&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Amava a Natureza, queria ser parte integrante da mesma, ter uma consciência cósmica, sentir o mar, sentir o vento, sentir a Terra e a Lua. Sentir, sentir, sentir é pensar com o coração. Pensou e pensou, sempre com o coração, um dia reparou que os seus pensamentos se processavam ao batimento cardíaco, bate-pausa, bate-pausa… Para além de pensar só com o coração, passou também a falar ao ritmo do mesmo. Os outros não entendiam e chamavam-lhe – gago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Homenagem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Grande Escritor era contra qualquer tipo de poder, principalmente os poderes contra a criatividade. Segundo ele o Anarquismo de pensamentos era condição necessária para a originalidade da obra literária. Achava, pensamentos que deixou bem patentes na sua imensa obra, que o maior crime cometido contra a criatividade é a eternização de símbolos. Sobretudo símbolos dedicados a grandes pensadores. A Terra que o viu nascer, após a sua morte, construiu e ergueu a maior estátua, de que há memória, em sua homenagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114046926999783412?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114046926999783412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114046926999783412' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114046926999783412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114046926999783412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/decises-absurdas-iii.html' title='Decisões Absurdas (III)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114028554246148659</id><published>2006-02-18T18:55:00.000+01:00</published><updated>2006-02-19T03:40:22.020+01:00</updated><title type='text'>Decisões Absurdas (II)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Traição&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tinha náuseas só de pensar que um dia pode-se ser traído por uma futura esposa. Estes sintomas, de um medo repugnante, levaram-no a procurar a mulher mais feia que pudesse existir. Casou então com a mulher mais feia que encontrou. Um dia descobriu que tinha dupla personalidade. Suicidou-se, para colocar um ponto final na traição.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fidelidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O que mais valorizava na vida era a sua auto-estima. Pensava que a maior humilhação que uma mulher podia sofrer era a traição, um mal que colocaria em causa a sua auto-estima. Casou apenas quando descobriu um homem. Esse homem achava que “ o «pito» é todo igual independentemente da mulher que o carrega". Viveu feliz para sempre, nunca foi traída pelo marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A força da expressão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não compreendia o porquê de ninguém o entender, não encontrava uma explicação lógica. Vivia desolado pelos problemas de comunicação, “ninguém me compreende” dizia vezes sem conta. Os outros não compreendiam, as suas expressões, as suas palavras, precisava de aceitar esse facto, não encontrando nenhuma razão plausível para isso resolveu criar uma desculpa palpável, uma desculpa real. Colocou na língua meia dúzia de piercings que lhe tiravam a capacidade de emitir sons decifráveis, apôs isto conseguiu engatar uma “gaja”, finalmente tinha sido entendido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114028554246148659?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114028554246148659/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114028554246148659' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114028554246148659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114028554246148659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/decises-absurdas-ii.html' title='Decisões Absurdas (II)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114019944323017951</id><published>2006-02-17T18:45:00.000+01:00</published><updated>2006-02-17T21:00:38.180+01:00</updated><title type='text'>Manias</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Uma vez por semana tinha que comer uma alheira&lt;/strong&gt;, bela refeição a única que merecia um copo de vinho sem demais companhia. O gosto pelo vinho é uma coisa que lhe vinha da terra, o vinho sempre foi o maior símbolo da humanidade representa euforia, dança, prazer, tragédia, teatro, etc, enfim tudo que o homem sonha ou viva. Que são os sonhos se não uma outra forma de vida? A Carne somos aquilo que comemos. A Alma somos aquilo que bebemos. Por isso tirando a alheira que junta todos os genes, o BOM e o Belo, decidiu, e bem, como filosofia de vida nunca separar a Alma da Carne, então sempre que um copito aquecia a Alma, tinha para a Carne, ora um presuntinho, ora um salpicão ou linguiça e só não sendo possível é que não havia umas azeitonas (para enfeitar a travessa). Azeitonas não é carne, dizem uns e com razão, não é carne mas é a cura (da carne), desde os primórdios que o azeite, principalmente o virgem, que é ligado a mezinhas. Além do mais a Carne também precisa do Belo, o enfeite da travessa, que a beleza não é só interior. E então a Alma não precisa de beleza exterior? Claro que sim, e fica aqui dito que a beleza exterior para a Alma é a música, que a faz vibrar. Existira então maior música que a companhia de amigos? Claro que não. &lt;strong&gt;Então bebia o seu vinhinho sempre bem acompanhado&lt;/strong&gt;, a alheira é que não precisa de amigos, tem muitos saberes de gerações, cada alheira tem milhares de Almas ali enchidas.&lt;br /&gt;- O amigo acompanha-me?&lt;br /&gt;– À guitarra ou ao violino?&lt;br /&gt;- A casa se faz favor que a Carne não acompanha a Alma (quando esta entra em êxtases amorosamente tintos)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chegado a casa adormecia sempre para o mesmo lado&lt;/strong&gt;, o esquerdo, isto fazia pensar que a Alma era ditadora, estava sempre do lado direito, para brincar aos sonhos sem ter a pressão da Carne com o colchão.&lt;br /&gt;Não sei se para acordar o corpo ou não, o certo é que &lt;strong&gt;tomava sempre um café antes de comer qualquer coisa quando se levantava&lt;/strong&gt;.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Se&lt;strong&gt; trabalha-se em casa e no computador tinha sempre a porta da varanda aberta por mais frio que estivesse&lt;/strong&gt;, devia ser saudades da sua terra, mal também não fazia sempre ouviu dizer que enrijecia os ossos. Um dia trabalhava então em casa, de porta aberta, tinha bebido uns copitos, a alma tontinha de amores tintos, foi apanhada por um vento que entrou sorrateiro. Sentiu, a Carne sentiu, a Alma a esvoaçar, sumiu foi com o vento. Ainda hoje ningém sabe para onde a Alma foi, nalguma vinha estára certamente, banhada pelas águas do D'Oiro. Continou a beber vinho não para alimentar a sua Alma, não para a esqueçer, mas para a recordar, tilintante, tintinha, tintinha, tontinha saudades, saudades...!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao desafio deixado pelo Beatriz(&lt;a href="http://levonocaparromasoufeliz.blogspot.com/"&gt;http://levonocaparromasoufeliz.blogspot.com/&lt;/a&gt; ), acabei por participar nesta brincadeira a que não acho grande piada, mas como foi a Beatiz a pedir e quanto mais gente participara mais depressa acaba resolvi participar. Arranjar participantes é que é difícil, visito poucos blogs e a maior parte dos blogista que visito já participaram nesta mania.&lt;br /&gt;Chamo entâo a participar o Al (&lt;a href="http://onzelapsos.blogspot.com/"&gt;http://onzelapsos.blogspot.com/&lt;/a&gt;), o Chuvamiuda (&lt;a href="http://coisas-do-burro.blogspot.com/"&gt;http://coisas-do-burro.blogspot.com/&lt;/a&gt;), a segurademim(&lt;a href="http://preencherovazio.blogspot.com/"&gt;http://preencherovazio.blogspot.com/&lt;/a&gt;), a Bitta (&lt;a href="http://diariobitta.blogspot.com/"&gt;http://diariobitta.blogspot.com/&lt;/a&gt;) e Mendes Ferreira(&lt;a href="http://mendesferreira.blogspot.com/"&gt;http://mendesferreira.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;Regulamento: «Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114019944323017951?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114019944323017951/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114019944323017951' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114019944323017951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114019944323017951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/manias.html' title='Manias'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114011772995613343</id><published>2006-02-16T20:20:00.000+01:00</published><updated>2006-02-16T20:31:27.600+01:00</updated><title type='text'>Decisões Absurdas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Precaução&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vivia num pânico obsessivo, achava demasiado fácil um árabe entra no comboio e fazê-lo explodir. Um dia, ainda na estação, vê um grupo de árabes, olhando para as vestimentas suspeitas destes, resolve agir.&lt;br /&gt;Por precaução mandou a estação pelos ares …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segurança sentimental&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Atordoado por dilemas emocionais, aprisionado pelo amor, tinha de se libertar das teias sentimentais, tinha de tomar uma decisão. Amava duas mulheres, apenas podia ficar com uma. Decidiu escolher aquela, que menos dor de cabeça lhe dava, a que mais segurança emotiva lhe transmitia. Decidiu então pela que menos amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Recordações&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vivia cada momento da vida de forma tão intensa que não tinha espaço para recordações. Um dia bateu com a cabeça, apoderou-se dele um esquecimento tal que nem sabia quem era. Não tendo recordações achou que nunca tinha vivido. Estava mesmo convicto da sua inexistência. Para provar a sua inexistência decidiu fazer uma demonstração por absurdo. Deu um tiro na cabeça para provar que não podia morrer pois não estava vivo. O certo é que não se lembra de ter morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Espírito do Contra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tinha um medo atroz da morte. Sem outro remédio, e contra vontade, não lhe restando alternativa resolve ir ao psicólogo. Este disse-lhe que tinha de enfrentar os seus medos, para o contrariar resolve fugir da morte e viver a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Código Deontológico&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O jornalista matou um homem, deu  a notícia em primeira-mão. Cumprindo o dever de informar, noticiou o paradeiro do cadáver sem nunca divulgar a fonte da informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reservas de energia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vivia sobressaltado só de pensar que um dia seria velho. Achava indigno ser-se velho, não podendo fugir da velhice só a podia viver se guarda-se para a 3ª idade os maiores prazeres da vida. Decidiu nunca ter qualquer acto sexual até garantir a reforma. Quando se reformou não teve qualquer erecção, não ficou desiludido, soube de outros com a sua idade que também não tinham, a única diferença é que os outros tinham gasto todas as erecções na juventude.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114011772995613343?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114011772995613343/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114011772995613343' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114011772995613343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114011772995613343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/decises-absurdas.html' title='Decisões Absurdas'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114010061510856900</id><published>2006-02-16T15:35:00.000+01:00</published><updated>2006-02-16T15:36:55.143+01:00</updated><title type='text'>Mitologias(I)- Prometeu</title><content type='html'>Prometeu, agrilhoado ao Caucáso, dilacerado eternamente, sofria amargamente. Uma dor amarela despedaçava-lhe a carne acorrentada em martírios, bicadas de profunda agonia abriam-lhe as janelas para as ruas do sonho. Sabia que amava, não sabia quem, a dor faz esquecer o alento do coração.&lt;br /&gt;Quem também sonhava era a águia, por novos prazeres. Sempre a mesma carne, sempre o mesmo fígado azedo de tanta exposição. Que raio! Sempre a mesma coisa, sossega o estômago, mas não alimenta o espírito. Partiu em busca de novos sabores, novas formas que lhe aguçassem o apetite pela vida.&lt;br /&gt;Prometeu fechou os olhos não suportava tamanha escuridão, tentou encontrar dentro de si alguma luz, algum amor esquecido no tempo. Tudo negro, abismais trevas abraçavam a alma. Abriu os olhos, um silêncio arrepiante embatia-lhe no corpo nu. O vento sôfrego nada trazia para além de uma ausência de sons. É da ausência que nasce a saudade. Saudade, as asas longas do amor. Agora sabia quem amava, amava a águia. A solidão é um tormento, mil vezes as portentosas garras do amor. Não existe amor sem dor. A solidão é insuportável, não há Deus que resista a tão assombrosa miséria.&lt;br /&gt;Prometeu morreu sozinho. A única coisa que pode matar um Deus é ninguém se lembrar dele, é a solidão.&lt;br /&gt;A águia procurava presas em vão, apercebeu-se mais tarde que também ela estava condenada a comer sempre da mesma carne. Regressou para a sua presa, um assombroso desalento abateu-se sobre a águia, sem alimento nem caça estaria agora condenada a vaguear pelo mundo como uma alma penada.&lt;br /&gt;A Alma de Prometeu tentou o Olimpo, negaram-lhe um lugar pois todos os Deuses têm medo da solidão. A Alma de Prometeu coberta por uma manta de solidão bordada em fios de um amor dilacerantemente masoquista, restava-lhe apenas um lugar onde habitar eternamente, no coração da sua Criação.&lt;br /&gt;Todos os homens sofriam de solidão quando descobriram o amor carnal nas garras afiadas de uma águia. Eis a salvação!&lt;br /&gt;O Amor tem um campo de visão longínquo, pobre da águia que não se livrou de comer sempre da mesma carne, mas antes isso que ser uma alma penada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114010061510856900?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114010061510856900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114010061510856900' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114010061510856900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114010061510856900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/mitologiasi-prometeu.html' title='Mitologias(I)- Prometeu'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-114005453676551794</id><published>2006-02-16T02:24:00.000+01:00</published><updated>2006-02-16T02:48:56.883+01:00</updated><title type='text'>Coisas Simples</title><content type='html'>&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Estou sempre apregoar coisas simples. Então aqui vai uma coisa simples, que diz tudo de mim e que os outros tópicos(post's) nada dizem. Claro ( e aqui pode parecer um paradoxo) que isto é o mais trivial possível. Gosto de vinho, gosto de Jesus Cristo o primeiro falsificador de vinho ( da água fez vinho), é o meu Deus. Gosto de Mirandela, a terra onde o Bom e o Belo se confudem. Gosto de uma forma mística de Carrazeda de Ansiães, terra onde se dá tudo, azeitona, maçã ( a melhor do mundo), amendoa, castanha, cereja , etc., e principalmente vinho. O Vinho do Porto é maioritariamente produzido nesta zona ( para quem não saiba), bem como o Vinho do Douro, Não sei se são laços maternais ( a minha mãe é de Carrazeda) que me prendem a esta terra, mas acho que as pessoas são tão simples como as terras onde nascem. Se querem ver beleza nas pessoas vão a Carrazeda, a beleza da Terra onde se dá tudo. Banhada pelo rio Douro ( rio D'oiro), por si só diria tudo, então vou deixar assim para não estragar.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Que me desculpe a Greentea (&lt;a href="http://fasesdalua2020.blogspot.com/"&gt;http://fasesdalua2020.blogspot.com/&lt;/a&gt;) mas não é em Sintra que existem os verdadeiros mistérios, mas sim em Carrazeda a Alma Lusa. Alma Lusa, a verdadeira portugalidade, leram bem, para quem não conhece façam o favor de visitar.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Nota final: Aqui não há nada que comentar, só para quem gostar da vinhaça é que pode (é desculpável) comentar.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Abraços para todos, mesmo para os que não gostam ( da vinhaça). Este tópico é unico e não volto a falar de mim, por sinal provavelmente será o unico que não interessa.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-114005453676551794?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/114005453676551794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=114005453676551794' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114005453676551794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/114005453676551794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/coisas-simples.html' title='Coisas Simples'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113988225316925877</id><published>2006-02-14T02:55:00.000+01:00</published><updated>2006-02-14T03:11:54.483+01:00</updated><title type='text'>O Ideal</title><content type='html'>Enterrado na areia, no meio do deserto, sacrificava a cabeça num sol abrasador. Desidratava-se em lágrimas enxutas pelo pó. Daria todo o seu oiro e sangue pela gota da salvação.&lt;br /&gt;Chegou, um homem que partilhou da sua água, não quis o seu oiro nem tão pouco agradecimento especial, apenas pediu que espalhasse a quem ali passasse o amor e o carinho pelos necessitados. O Enterrado na areia agradeceu com toda a sua alma, e prometeu pelo seu sangue que assim o faria.&lt;br /&gt;Veio uma linda mulher, o Enterrado na areia, contou-lhe do gesto nobre do homem que ali passou que nada em troca pediu. A mulher enternecida pela grandiosidade do homem que ali passou deu-lhe um beijo doce de ternura para matar a solidão do Enterrado na areia. Também nada pediu em troca além de que voltasse a espalhar a mensagem de carinho e amor pelo próximo, por quem ali passasse.&lt;br /&gt;Chegou o Coveiro, o Enterrado na areia estava desmaiado e nada disse, então o Coveiro mediu-lhe as pulsações, apercebendo-se que o Enterrado na areia estava vivo, desenterrou-o e transportou-o para um lugar à sombra. O Desenterrado despertou, não se lembrava de nada, apenas sabia que tinha de passar a mensagem de amor entre os homens. O Coveiro respondeu que tinha perdido a fé nos homens e não acreditava no Amor Entre os Homens, durante a sua vida já o tinha enterrado muitas vezes. O Desenterrado partiu e nunca desculpou ao Coveiro, o seu desinteresse pela humanidade." São as sementes do mal que nos colocarão um dia às portas do Inferno", disse o Desenterrado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113988225316925877?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113988225316925877/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113988225316925877' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113988225316925877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113988225316925877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/o-ideal.html' title='O Ideal'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113985279897641089</id><published>2006-02-13T18:42:00.000+01:00</published><updated>2006-02-13T23:41:25.380+01:00</updated><title type='text'>Sem Cérebro II</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(continuação do Sem Cérebro)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Morreu o homem santo, Santo Anacleto - o Salvador, a beatificação não demorou tal a quantidade de milagres que surgiam em catapulta. O primeiro sintoma de divindade aconteceu logo no seu funeral sob a forma de um intenso e agradável cheiro oxigenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;br /&gt;(A Origem do Mal)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se 35 anos, Santo Anacleto é hoje adorado, por todo o mundo proliferam estátuas sublimes em sua homenagem. Não é caso para menos, os homens amam hoje a natureza de uma forma nunca antes vista. No entanto é necessário amar com mais fulgor, o oxigénio continua a escassear.&lt;br /&gt;Para além do oxigénio outra coisa, talvez mais grave, preocupa a humanidade, um bebé que fala, três meses não terá mais que isso. Falou, agora deixou de falar quando reparou que era olhado com desconfiança. Insegurança é coisa que também não falta, justificada certamente, foi realizado um TAC ao insólito bebé e verificou-se que não tinha cérebro. Se não tem cérebro não é humano, não sendo humano gasta oxigénio desnecessariamente. Muito mais grave é ir contra a Natureza, uma blasfémia ao Salvador, tudo que contradiz o Amor pela Natureza vai contra Santo Anacleto, ir contra o padroeiro da humanidade é negar-lhe a existência, isso é crime, morte então a esse ser esquisito, aberração do anti-Natural, o demónio portanto.&lt;br /&gt;Morte nem todos estavam de acordo, resolveu então fazer-se um referendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carta do Dr. Jung a um jornal de tiragem mundial:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho por este meio tentar elucidar, pelo pouco que sei, o grande desconforto que este bébé aberrante trouxe às pessoas de Bem e amantes da Natureza. Vou tentar elucidar, mas quero já mencionar que, infelizmente, não trago boas naturezas (boas novas). Temo que esta criatura não seja a única viva, bem pelo contrário, provavelmente serão milhares. Antes de mais vou esclarecer algumas coisas que tem sido transmitidas e de forma errada por todos os jornais mundiais inclusive este, prestigiadíssimo jornal em que escrevo. Ao contrário do que se vem dizendo a criatura aberrante tem cérebro, antes não o tivesse, tem é a caixa craniana vazia. Cada célula destas criaturas das trevas é um neurónio, ou seja todo o corpo é um gigantesco cérebro, tendo a vantagem, em relação a nós de os seus processos neurobiológicos, centros de decisão, se encontrar muito mais perto de cada órgão e como consequência existe nelas uma actividade cerebral muito mais acelerada, intensa e eficiente que nos humanos. Estes seres do inferno são terrivelmente pensantes, falta-me o oxigénio só de imaginar os planos diabólicos que provavelmente estarão a maquinar. O incrível é que nascem já com elevados conhecimentos, dominam a fala na perfeição, parecem saber tudo sobre geografia, até ao que parece tem elevados conhecimentos sobre genética. Impossível(?) dirão alguns leitores. Quem dera que fosse! Quem dera! Que nos proteja Santo Anacleto! Tenho provas daquilo que estou a dizer, em primeiro lugar esta besta sob a forma enganadora de um bébé, não é o primeiro. Mantive até agora em segredo, eu e o corpo científico para a Natureza, aquilo que aqui vou revelar . Há um ano atrás descobrimos a primeira criatura abominável, num dos desertos próximos de Lisboa. Pareceu-nos como é óbvio um bébé, estranhamos como podia sobreviver em tão intenso calor e com falta, quer de oxigénio quer de alimentos. Procuramos nos arredores e descobrimos uma carcaça adulta que nos parecia um humano, impossível de reconhecer pois tinha a cabeça rachada, completamente descaracterizado como se algum diabólico ser tivesse irrompido em seu crânio. Levamos a carcaça bem como a cria para os tratamentos adequados. Chegados ao laboratório, em primeiro lugar alimentamos a cria, depois fizemos testes ao código genético dos dois, resultados completamente inacreditáveis, incrédulos e assustados, repetimos vezes sem conta os testes, sempre os mesmos arrepiantes resultados. As criaturas tinham o mesmo código genético, um código genético embora parecido não humano, a cria era um clone da carcaça. Reparamos, apôs vários estudos, que a cria tinha um crescimento acelerado, penso que no espaço de mais ou menos 18 meses poderia atingir a idade adulta.&lt;br /&gt;Outra coisa que se diz, e mal, é que a criatura consome oxigénio, nada mais falso estas criaturas libertam oxigénio pela sua expiração, segundo me parece tem um processo parecido com a fotossíntese, não é então de estranhar que uma destas bestas possa sobreviver no deserto. Conseguem mesmo alimentar-se de minerais, mais impressionante ainda é que podem alimentar-se de quase tudo. A nossa salvação talvez seja, é apenas uma suposição, o facto de estas criaturas não atingirem mais de 35 anos, tendo então que se clonar. As criaturas mais velhas vivem portanto entre nós e passam despercebidas, são demasiado parecidos com os humanos. A única vantagem que temos é o tempo, são esses 18 meses que levam a regenerar-se e voltar a assumir a identidade anterior.&lt;br /&gt;O mais terrorífico dos males, sendo estas criaturas todas do sexo masculino conseguem reproduzir-se com os humanos, temo que isso já tenha acontecido em grande escala. Não é difícil a reprodução, podem facilmente arranjar parceira para os seus medonhos instintos de procriação, visto serem criaturas inteligentíssimas, geralmente com boa aparência, portanto bem sucedidos, e que irradiam uma frescura aromática e oxigenada que atrai vorazmente o sexo feminino da espécie humana. A criatura nascida desta relação é a primeira, a origem dos clones sucessivos, a besta assim nascida é mais difícil de detectar visto ter um crescimento em tudo igual às crianças humanas.&lt;br /&gt;Como já disse estas criaturas são demasiado parecidas connosco. Demasiado parecidas, para podermos viver em paz com elas. Temos que reconhecer que são muito mais fortes que nós, adaptam-se melhor ao meio, ao agreste ambiente do nosso planeta. Se não tomarmos medidas urgentes temo que o fim da humanidade esteja para breve.&lt;br /&gt;O referendo não tem razão de existir morte a essa criatura já. Proponho ainda, não que me agrade, mas espero que Santo Anacleto possa iluminar o vosso caminho como iluminou o meu, proponho então que se matem em prol da sobrevivência da humanidade todas as crianças do sexo masculino que tenham idade inferior a 15 anos, e que a durante dois a três anos seja proibido engravidar. Que a verdura de Santo Anacleto oxigene os vosso pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente&lt;br /&gt;Dr. Jung Herodes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Este conto pode ser lido como um só bem como a primeira parte, no entanto para uma melhor compreensão convém ler primeiro a parte I)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113985279897641089?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113985279897641089/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113985279897641089' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113985279897641089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113985279897641089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/sem-crebro-ii.html' title='Sem Cérebro II'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113979033162151213</id><published>2006-02-13T01:24:00.000+01:00</published><updated>2006-02-13T13:46:10.546+01:00</updated><title type='text'>Sem Cérebro</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;br /&gt;( O Salvador)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano 2100.&lt;br /&gt;Anastácio da Silva foi hoje condecorado, pelo Presidente da República, tão singular homenagem, embora tardia, deve-se aos seus grandes feitos em prol da humanidade. O Homem pode agora sorrir para o futuro, embora Anastácio não o consiga fazer e talvez nunca mais tenha essa simples capacidade que nos parece tão leve como o bater de asas duma borboleta.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Todos os países já ofereceram ajuda, com os seus melhores cirurgiões e outros elementos ligados à ciência médica, para tirarem Anastácio do estado vegetativo em que se encontra há mais de 2 meses.&lt;br /&gt;Anastácio também conhecido pelo Homem Verde ganhou fama graças à construção de uma nova esperança para a sobrevivência do Homem.&lt;br /&gt;Nem sempre foi conhecido pelo Homem Verde, alguém lhe colocou esta alcunha há cerca de três meses, ganhando grande divulgação a partir do momento em que entrou neste estado de profundo coma.&lt;br /&gt;Alcunhas foi coisa que nunca lhe faltou, ora conhecido como o Tarado Sexual, sobretudo pelos homens, ora conhecido pela Máquina Sexual, devido ao seu elevado desempenho no sexo oposto. Os seus atributos naturais aliados ao precioso charme, segundo dizem, faziam dele um alvo sexual da espécie feminina. Graças à sua frase difundida nas revistas da moda, «Ao Natural é que é bom.», não é de estranhar que tenha espalhado por esse mundo fora, inúmeros descendentes.&lt;br /&gt;Anastácio, o Homem Verde, não era tarado sexual por paranóia ou filosofia de vida, era assim por vício. Viciado em sexo portanto.&lt;br /&gt;Tudo começou ainda jovem. Anastácio era contra a intolerância biológica. Nada esquisito visto cada homem ter apenas duas alternativas, ser Heterossexual ou Homossexual. O bissexualismo, segundo o Homem Verde, não passava de uma mistura algo indecisa entre o Homossexualismo e o Heterossexuais. Duas alternativas! Que raio! Está bem, há sempre a zoofilia, mas isso não passa de pura taradice.&lt;br /&gt;Quando entrou para a Universidade escolheu o curso de Botânica, não foi a primeira opção mas não ficou desiludido. A primeira opção era Física, o seu intuito era apenas descobrir uma forma de dar uma foda quântica.&lt;br /&gt;Com o curso de Botânica teria emprego assegurado, é o curso que actualmente tem mais saída. É preciso ver que devido ao efeito de estufa, aquecimento global do planeta, etc., estamos num tempo em que árvores são escassas, praticamente inexistentes. O pior não é a escassez de árvores é a falta de oxigénio. A falta de oxigénio como seria de esperar embora nunca nada tivesse sido feito em contrário coloca em perigo a humanidade, quer devido à falta do mesmo quer devido à alimentação escassa também provocada pela falta de oxigénio visto os animais não conseguirem sobreviver.&lt;br /&gt;Anastácio, brincalhão com as meninas era também um excelente aluno, tirou o mestrado e logo em seguida o doutoramento em genética.&lt;br /&gt;Foi na altura em que tirava o doutoramento, e por conseguinte aumentava os seus conhecimentos na genética, que descobriu que o seu vício pelo sexo não era psicológico mas sim um problema fisiológico, durante o orgasmo não produzia as quantidades mínimas de testosterona para se sentir realizado. Não produzia testosterona mas produzia uma substância que embora inofensiva ao nível neuronal causava dependência física.&lt;br /&gt;Impulsionado pelos seus conhecimentos, pela tentação de se curar do mal que o desgastava e ainda pela sua intolerância biológica, meteu mãos à obra. “Inventou” uma planta transgénica parecida com uma mulher. Parecida é uma forma exagerada de dizer, parecida na forma talvez seja mais correcto. A «Planta do Amor», assim conhecida tinha um tronco algo parecido às pernas de uma mulher do joelho para cima, crescia na vertical até mais ou menos a altura da cinta, onde se arredondava com as ancas de uma mulher vista de costas, e depois crescia na horizontal formando na extremidade algo parecido com uma cabeça. A planta tinha “cabelos”, rama que brotava da cabeça em forma de uma trepadeira, tinha “seios” com a forma de uma manga cortada a meio, tinha mamilos com a forma de morango. Todo o tronco tinha uma casca parecida à da maçã, a “vagina” tinha uma textura exterior parecida à casca de Kiwi, o interior era parecido com os gomos de uma romã sumarenta, mesmo os olhos eram parecidos com duas tulipas que emanavam uma excitante fragrância.&lt;br /&gt;Se bem que agora Anastácio tivesse mais uma opção sexual, ainda não tinha resolvido o seu problema de testosterona, embora agora não precisa-se procurar sexo fora de casa para matar o vício. Era uma planta de interior, produziu grandes quantidades destas plantas que tinham algumas particularidades curiosas, aquando do acto sexual abanavam em frenesim os “cabelos”, libertavam grandes quantidades de oxigénio e não precisavam de adubo, bastava para a sua nutrição uma atenção cuidada e frequente. Atenção cuidada e frequente pois eram plantas muito sensíveis que reagiam mal a produtos químicos, eram e são, portanto, plantas “biológicas”. Precisavam, para ser mais conciso, embora grosseiro, de sexo sem preservativo, ao natural como era timbre de Anastácio. Plantas que viviampara o amor e viviam do amor, etenda-se que não tinham gula desmedida de amor, bastava-lhes os restos, as sobras do prazer amoroso.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A libertação de oxigénio não foi propositada, mas Anastácio viu ali uma oportunidade de negócio, queria enriquecer a toda à força, e decidiu comercializar estas plantas. Em boa hora o fez, estamos numa época em que os tabus sexuais acabaram. A “Planta do Amor”, assim conhecida, fez e continua a fazer um enorme sucesso, quer ao nível ambiental quer mesmo ao nível moral visto ter acabado com a profissão pouco digna e contudo a mais antiga.&lt;br /&gt;Anastácio aproveitando os subsídios estatais a que tinha direito pela criação do negócio e ainda pelos abismais lucros da venda da patente, deixou de trabalhar. Vivia exclusivamente para o sexo vegetal e para o seu estudo com o intuito de acabar com a sua dependência. “Inventou” outra planta, esta só para ele, em tudo igual às anteriores. Em tudo menos na rama (cabelos) e na libertação de oxigénio. A rama agora tinha a forma e a textura de uma silva que se enrolava no amante durante o acto sexual. Ao agarra-se, no amante neste caso o Anastácio, espetava os seus espinhos e por esses espinhos libertava no corpo humano grandes quantidade de testosterona. Os resultados foram fenomenais nem Anastácio esperava tanto, o seu problema estava resolvido. Dedicou-se então ao sexo carnal, que o físico também precisa dalgum encanto através da fala. Já não via grande interesse no sexo vegetal. Mulheres era sempre a aviar, tinha perdido o vício mas não o apetite, era um homem insaciável. Mulheres não faltavam, graças aos seus atributos, já discutido, à sua fama de salvador da humanidade bem como sua enorme riqueza. Milhares de mulheres por todo o mundo tinham como sonho passar uma noite com ele e quem sabe um filho.&lt;br /&gt;Não passaram por falta de tempo, Anastácio chegaria certamente para todas, apesar dá sua cada vez maior jovialidade e frescura algo de estranho se passava com ele, ia ganhando aos poucos uma coloração verde. Com certeza alguma mutação genética, não se sabe bem ao certo. Seja como for, quando ficou completamente verde entrou neste estado vegetativo em que agora se encontra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua amanhã)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113979033162151213?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113979033162151213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113979033162151213' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113979033162151213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113979033162151213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/sem-crebro.html' title='Sem Cérebro'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113969393821525370</id><published>2006-02-11T22:35:00.000+01:00</published><updated>2006-02-12T02:36:39.913+01:00</updated><title type='text'>A Última Obra</title><content type='html'>A Última Obra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“… O medicamento Percipiolhoral usado experimentalmente em certas formas de cancro, mostrou que tem não só a capacidade de bloquear a replicação de células com VIH mas também a capacidade de destruição do vírus. A droga que actua sobre uma enzima conhecida como P-TEFb, interfere com o processo de transição, acabando com as mutações que eram praticamente impossíveis de ultrapassar no tratamento do VIH. A Dr. Elvira Matos e o DR. Ernesto Stein, ambos responsáveis pelo estudo e candidatos ao Prémio Nobel, afirmaram que o medicamento tem um sucesso total mesmo em doentes terminais.&lt;br /&gt;…”&lt;br /&gt;Texto publicado no Jornal X…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com profunda desilusão que li esta notícia. Claro que fiquei contente pelo sucesso do medicamento. O que me entristece é a falta de ética e grande injustiça nestas coisas da ciência, o nome do Dr. Albertino Matos nem por uma vez foi mencionado. Estou certo que se ele ainda estivesse entre nós pouco ou nada se importaria. Irrita-me, faz-me muita confusão haver pessoas que se dizem cientistas e depois apoderarem-se de estudos alheios. Desejo de fama nada mais que isso.&lt;br /&gt;Há uma espécie de homens que a civilização consegue negar ou ignorar. O Dr. Albertino foi um desses homens, sempre dedicou a sua vida à ciência, quiseram os Deuses que a ciência não lhe dedicasse uma só palavra. Os Deuses têm uma estranha forma de fazer justiça, esquecido pela ciência é hoje lembrado pela sua esplendorosa arte.&lt;br /&gt;Travei conhecimento pelo seu invulgar espírito na III Conferência Internacional de Bioquímica – 20011, dedicada ao estudo e novas formas de abordagem do cancro. Reputado bioquímico, na altura, a sua palestra criou como era hábito uma grande expectativa. Subiu ao palco, apagaram-se quase a totalidade dos focos, pois o Dr. Albertino tinha adquirido uma estranha alergia à luz. O tema da sua palestra foi « A Ciência e a Arte», o seu ar delirante e entusiástico que sempre criara grande fulgor e curiosidade no público conferencista transformou-se em repulsa e risota geral. Trazia óculos escuros de cor amarela queimada, um sobretudo laranja zebrado na diagonal por listas de um roxo vivo. A calvície, que sobressaía num cabelo espigado, acinzentado com malhas de branco, reluzia na pouca luz, aliada ao seu jeito atabalhoado estava dado o mote para o bizarro.&lt;br /&gt;Andava de um lado para o outro em passos curtos e rentes ao chão, ziguezagueando, abrindo os braços, falando coisas sem nexo, «A arte não é mais que informação quântica processada biologicamente, a ciência pode descobrir na arte curas milagrosas. Na arte não existe a dualidade Eu vs. Mundo, o Eu e o Mundo fundem-se num só, sentir é compreender, sentir é curar…». O homem está doido, bem que o dizia, a sua ex – mulher, a Dr. Elvira agora casada com o Dr. Ernesto Stein, a loucura total, no meio de frases mirabolantes, deu-se quando puxou de dois frascos em vidro com tampas esburacadas. Um dos frascos continha percevejos o outro piolhos, «A saliva do piolho impede que o sangue coagule, o percevejo pode recriar a dor através da cor, dor que se transmite pela arte, o percevejo pode dar pinceladas resplandecentes, vibrantes empastando ou provocando explosões, a dor fica no pintor que por sua vez a reflecte na tela, há uma transmissão quântica sem tempo nem espaço…». Talvez tivesse ficado nervoso com as gargalhadas que inundavam o anfiteatro ou tivesse alguma dificuldade em ver, o certo é que tentou elevar os óculos à testa num movimento brusco e deixou cair um dos frascos que se estilhaçou no chão soltando os irrequietos bichos. O homem baixou-se, corria em gatas atrás dos escorregadios insectos quando o Dr. Ernesto resolve parar a palestra do Dr. Albertino dando-a por finda. Todos saíram, olhando e sacudindo a cabeça com desdém para aquela criatura ainda de gatas e de costas viradas. Senti pena e fui ter com ele, demorei um pouco para pensar no que havia de dizer. Acabara de sair a última pessoa, para além de nós dois, senti um grande alívio pois não foi preciso dizer nada. O Dr. Albertino levantou-se num ápice e olhou para mim de cima a baixo e disse-me: «Ah, és tu!» Ali não tive a menor dúvida que estava louco, não me conhecia de parte alguma, sem que eu pudesse responder continuou: «Estava à tua espera, não sabia quem eras, mas o meu pressentimento estava correcto. Amanhã vem ter comigo, jantas em minha casa.» Deixou-me um cartão com a sua morada e partiu, fiquei especado tinha-me apanhado desprevenido e fui incapaz de dizer que não. De qualquer forma alguma curiosidade latejava em mim, de facto ele tinha sido um grande bioquímico e alguma coisa sã devia ter ficado de tão brilhante mente.&lt;br /&gt;Uma casa de campo isolada no meio do monte, via-a ao longe, atravessei uma quinta rural relativamente iluminada cheia de estábulos e pocilgas, o caminho enlameado intenso de cheiros não me agradava, havia perdido o apetite. Entrei, a luz era mais forte na rua, o jantar em cima da mesa estaria com certeza mais quente que a ténue vela de cera esverdeada. Continuava vestindo aquele bizarro sobretudo, na cabeça usava um tricórnio preto que não tirou durante o jantar, argumentando que o tricórnio lhe projectava sobre os olhos a sombra necessária para serenar a sua alergia. Jantamos, pouco comi, tentei várias vezes puxar a conversa para o lado da ciência, esforço infrutífero que nada podia contra encorpados devaneios d’ arte. Na dureza daquela casa em pedra existia uma frágil mente em galopes alucinados de cor. Do estranho discurso que naquela noite proferiu pouco me lembro, a parte mais coerente, aquela que fixei, aqui a deixo: «No toque sensível do pincel, pintarei dores aglomeradas em degenerados corpos nus. Purificarei entranhas em tinta reflectidas. Na tela esbaterei dores por mim sentidas e antes transmitidas em ciência que por fim terão informação quantificada em arte…” Algo de estranho se passava, sentia a meus pés o chão a mover-se comecei a sentir tonturas, levantei-me desculpando-me com compromissos e trabalhos, encaminhei-me para a porta em paços estaladiços. Abri a porta, respirei ar puro com cheiro a estrume, olhei para trás seguindo os feixes de luz que entravam em casa e quase vomitava de tão nauseabunda visão. O chão impregnado de percevejos deslizava para a escuridão. Virei costas, acho que nem boa noite disse, e caminhei no meio do lodo. Ouvi ainda ecos, como que a suplicar - não vás já, do discurso da Conferência:&lt;br /&gt;«A arte não é mais que informação quântica processada biologicamente, a ciência pode descobrir na arte curas milagrosas. Na arte não existe a dualidade Eu vs. Mundo, o Eu e o Mundo fundem-se num só, sentir é compreender, sentir é curar…».&lt;br /&gt;No meio daquele caminho ensopado, que teria de seguir até à estrada onde deixara o carro, cruzei-me com um monte de estrume, no cume do monte erguia-se um sadio malmequer amarelo. Aproximei-me para sentir o seu perfume, uma leve fragrância era tudo o que levava de uma noite pestilenta.&lt;br /&gt;Logo que cheguei a casa deitei-me estava  exausto, tive dificuldade em adormecer, a imagem do malmequer no cume de um monte de merda não me saia da cabeça. Há imagens que criam mais raízes em nós que os pensamentos por mais lógicos que sejam ou pareçam. Uma flor no cume do estrume. Não seria à arte como imagem e à ciência como pensamento lógico que o Dr. Albertino se referia? Não estaria eu a julgar todo o meio envolvente do Dr. Albertino como estrume e a desprezar o malmequer dos seus pensamentos? Se sim, fui claramente injusto. «Amanhã irei visitá-lo novamente, por via das dúvidas», pensei.&lt;br /&gt;Fui durante o dia que assim aqueles insectos repugnantes não sairiam do seu covil. Quando cheguei, no dia seguinte, reparei que o Dr. estava cego, aprontei-me a lamentar a sua terrível sorte, facto que ele recusou pois, segundo ele a cegueira tinha sido induzida, por processos que eu desconheço, para apurar sentidos. Cheguei então para falar de arte, coisa que para ser sincero nada sei, e não é, para espanto meu, que o homem se vira para a ciência. Diga-se de passagem que foi uma conversa bastante proveitosa, fiquei a saber que por exemplo a saliva do piolho impede o sangue de coagular e quais os processos químicos envolvidos, bem como mil e uma coisa sobre percevejos, desde as suas mandíbulas até ao seu zumbido, pormenores que aqui não explicarei. Convidou-me par voltar no dia seguinte, as 16 horas, altura que receberia a sua primeira cliente. Primeira cliente? Coisa estranha, um bioquímico armado em médico ou talvez artista, pensei mas não disse por educação.&lt;br /&gt;Antes das 16 já eu lá estava, chegou então uma mulher na casa dos 30, 40 não mais, uma senhora em desespero sem um único cabelo. Eu conhecia-a era paciente da Drª Elvira, tinha cancro e a quimioterapia não produzira qualquer efeito benéfico.&lt;br /&gt;Desceram para uma cave, o Dr. Albertino levava apenas vestido o seu habitual sobretudo, o objectivo segundo me apercebi era pintar um nu às escuras, por um pintor cego, e curar a doente. Armado em curandeiro artista, nunca tinha ouvido falar de tal coisa, provavelmente nem a senhora que tentava um milagre, ao que o desespero chega, pensei incrédulo. Passado algum tempo ouvi gritos de terror como se a senhora estivesse a ser dilacerada por monstros horripilantes.&lt;br /&gt;Dei um pequeno passeio, não queria ouvir tal coisa, por momentos pensei em acudir a pobre coitada, mas pensei melhor, o Dr. Albertino pode ser tudo menos violador, isso de certeza não é. Avistei ao longe o Dr. carregando em ombros a paciente, aproximei-me a passsos largos, não queria acreditar no que via, a mulher estava empestada de terríveis mordidas empoladas. O D. disse-me: «Não te preocupes agora está bem». Não sei porque cargas d’ água acreditei na sua voz firme e convicta, chamei uma ambulância e acompanhei-a ao hospital. Estava bem, não corria risco de vida, antes pelo contrário, algum tempo depois o cancro tinha desaparecido. Ocorreram-me inúmeros pensamentos que a minha mente acostumada à lógica da ciência não conseguia explicar.&lt;br /&gt;Voltei a casa do Dr., tinha os braços completamente empolados, implorei-lhe para me explicar tão insólito acontecimento, sob pena da minha mente entrar em colapso. O Dr., à sua maneira, tentou dissipar as minhas dúvidas falando da influência do zumbido dos percevejos aliado ao sangue humano podia além de ser um grande condutor ( veiculo de transmissão de informação, era também deflector e bloqueador de células cancerígenas, que juntamente a piolhos, à Teoria das Cordas ( nova teoria física que visa complementar falhas da Teoria da Relatividade e da Mecânica Quântica) e ainda à arte podiam determinar a cura. Não compreendi nada desta explicação, pareceu-me mais coisa de Espiritismo, de insectos nada sei de Física muito menos. Foi ai, que o Dr. me arranjou um paralelismo, ainda que grosseiro segundo ele, ao de uma máquina fotográfica. « Será a fotografia arte? Não, não é. Quando uma paisagem é fotografada temos como resultado uma foto que representa uma simples imagem, vista de um determinado ângulo, dessa paisagem. Nem por isso a paisagem deixa de existir. A verdadeira arte é aquela que além de representar o real a imaginação ou a paixão, altera a realidade transportando-a para dentro do artista, deixando esta de existir no exterior. Ficando apenas uma representação que damos o nome de arte. No fundo eu sou a máquina fotográfica ,com a vantagem da realidade que transpus para a tela deixar de existir no exterior passando a habitar em mim. Quanto aos insectos são apenas o meio que permite tal feito.» Fiquei estupefacto com tão grandioso acontecimento e alucinantes pensamentos. Uma coisa me perturbava ainda e perguntei:&lt;br /&gt;- «Então Dr., isso significa que o cancro saiu da senhora para habitar em si?»&lt;br /&gt;- « Sim é verdade, mas não fisicamente, existe em mim o cancro em forma de energia, se quiseres podes dizer, para ser mais simples, que existe em mim um cancro e que este se situa na alma, numa outra dimensão.&lt;br /&gt;De facto era mais simples mesmo para uma pessoa da ciência como eu, compreender isto como algo ligado ao Espiritismo e não à ciência ou arte. Arte? Onde está então tal arte, perguntei. Foi quando o Dr. me mostrou uma estrondosa divindade. Um quadro expressionista, maioritariamente em tons vermelhos de pinceladas bruscas. Ah! Como é belo esse quadro, olhando-o tem-se milhentas emoções coloridas, dores diluídas em celestiais sensações! Indescritível! Só Vendo! Só Vendo! Quadro bem como outros, do grandioso pintor, estão à vista de quem quiser confirmar no Museu T…&lt;br /&gt;Nos tempos seguintes acompanhei de perto todas as milagrosas curas e os seus deslumbrantes quadros. A obra do Dr. Albertino, inicialmente foi bastante divulgada pela curiosidade de ser um pintor cego, hoje felizmente é conhecida pelo seu incomparável mérito e talento.&lt;br /&gt;No dia da sua morte teve um discurso estranho:&lt;br /&gt;« Meu caro sucessor, a minha alma está cheia, já não posso mais, pintarei a última obra um auto-retrato. Darás esta obra a minha ex-mulher, ela saberá o que fazer…” Que raio quereria ele dizer com ser o seu sucessor, porque quereria ele que fosse eu entregar o seu auto-retrato à Drª Elvira, porque é que não a entregava ele. Prometi que sim, não conseguia dizer-lhe que não.&lt;br /&gt;Fui para casa, não consegui pregar olho durante toda a noite, algo me preocupava, palavras que martelavam na minha cabeça: Máquina fotográfica; alma cheia; rolo;&lt;br /&gt;Voltas e mais voltas e os olhos que não cerravam. Nasceu o dia, a claridade assaltou a minha alma abruptamente, se a alma é a máquina fotográfica e está cheia, significa também que o rolo está cheio e é necessário revelá-lo. Levantei-me, vesti-me apressadamente e corri como um louco ao encontro do Dr.&lt;br /&gt;Encontrei-o morto, desalmadamente morto, uma verdadeira sucata leprosa, cancros em feridas abertas por todo o corpo, os braços e mãos cobertos de insectos hematófagos. Horrível! Horrível! Ao seu lado o quadro, o último quadro, que era uma cópia de todos os outros pintados pelo artista, divididos em pequenos quadrados, cada um quadrado um quadro anterior…&lt;br /&gt;Entreguei, como prometido, a última obra à sua ex, esta por alguma consideração ou por divulgação da caridade resolveu expô-lo no Museu T… ao pé dos quadros anteriores. Este quadro era diferente de todos os outros, algum tempo depois começou a deteriorar-se e a emanar um cheiro putrefacto. Apôs análise pela Drª Elvira e pelo Dr. Ernesto Stein foi descoberto que a tinta usada era sangue humano que continha o vírus VIH, completamente controlado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente venho sentido uma crescente alergia à luz. Hoje pela primeira vez senti um incontrolável impulso de compra. Comprei uma tela de pintura….&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113969393821525370?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113969393821525370/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113969393821525370' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113969393821525370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113969393821525370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/ltima-obra.html' title='A Última Obra'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113929889843208992</id><published>2006-02-07T08:50:00.000+01:00</published><updated>2006-02-07T12:27:34.353+01:00</updated><title type='text'>O Corvo</title><content type='html'>Paira sobre mim um terrível presságio. A minha alma sofre, arranha-me o espírito, sangram-me os pulsos impotentes contra garras felinas.&lt;br /&gt;Agarrei num papel e escrevo, escrevo desalmadamente. CALA-TE!&lt;br /&gt;Detesto psiquiatras. Abomino essas bestas, que se agarram com todas as patas à teia mórbida da ciência. Apavoram-me os cépticos, que me querem internar, eu que sempre trabalhei com e para eles. Ingratos, são umas bestas ingratas. Cépticos! Cépticos! São uns cépticos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três meses, faz amanhã três meses, que uma estranha criatura chegou ao Hospital Psiquiátrico. Podava, eu naquela altura, a Roseira de Rosas Brancas, assim chamada, junto ao portão da Entrada Norte. Norberto, trazia um casaco de fato anos 60, encardido de surro, parecia castanho, umas calças, limpas, de flanela com padrão axadrezado de azul e amarelo. CALA-TE!&lt;br /&gt;O casaco parecia um colete-de-forças de tão apertado lhe ficava, as calças pelo contrário demasiado largas, largas e curtas com bainha apanhada pelos joelhos. As curtas calças, prezas por suspensórios laranja, deixavam ver umas meias altas e roxas com bonequinhos amarelos. CALA-TE!&lt;br /&gt;Mais um maluco - pensei eu. As botas acho que eram de caça, mas não estou bem certo, outra coisa me prendia a atenção, um corvo. Um maldito corvo que sobrevoava em círculos enigmáticos centrados na cabeça de Norberto.&lt;br /&gt;- Vai para longe, maldita aparição do Inferno! – Gritos agudíssimos, que Norberto deitava aos ares, tentando espantar a maldita criatura.&lt;br /&gt;Acabou por ser internado como esquizofrénico, apesar de ter uma clara percepção da realidade. Um esquizofrénico, que foi internado por sua livre vontade, não passou despercebido às ignóbeis criaturas que dão pelo nome de psiquiatras. Não passou despercebido mas também não lhe deram qualquer importância. CALA-TE!&lt;br /&gt;Norberto tinha uma clara noção da realidade, o problema era mesmo o seu interior, ouvia vozes. Não vozes que o perseguiam, ou lhe ditavam regras, apenas vozes que pediam ajuda. NÃO TE QUERO OUVIR! Não se achava Deus, nem um ser enviado por ele, apenas queria ser uma pessoa normal como antes o foi, ou pelo menos assim o dizia.&lt;br /&gt;Transido de dor, repassado de terror, vagueava horas a fio pelos insensíveis corredores do Hospital. Gostava de se ver ao espelho, «Assim vejo-me, tenho a certeza de mim.», disse-me várias vezes.&lt;br /&gt;Muitas vezes tinha convulsões de penetrante agonia, vibrava-lhe a face, tremiam-lhe os lábios, revirava os olhos, escorriam-lhe suores pela testa pálida, cerrava os punhos, contorcia-se no chão em sofrimentos abismais, espasmos aflitivos ritmados aos sons enojantes daquela maldita criatura, que rondava o Hospital, em negra chilrearia. CALA-TE!&lt;br /&gt;Dia 8 do passado mês, voltou a ter um desses ataques terríveis, tal como outros juntava muitas boas almas, mais para ver do que para ajudar, os gritos de Norberto eram um bom alarme. Este ataque era pior que os outros, muito pior, até a maligna criatura, aquele corvo diabólico, emitia ruídos muito mais desesperantes que das outras vezes.&lt;br /&gt;Norberto, rebolava pelo chão, não consigo imaginar as dores que aquele pobre diabo teria, abriam-se, nos seus pulsos, fendas que jorravam sangue em esguichos intermitentes, horrível. Olhos horrorizados das testemunhas, não fui o único a ver, éramos para ai uns dez ou mais, entre os quais estava o Dr. Pedro Silveira, o céptico ignóbil que agora me quer internar.&lt;br /&gt;Um arrepio álgido percorria-me o corpo, quando, transtornado, deparei com uma luz branca e transparente com contornos electricamente ondulantes que saia, como uma serpente, dos pulsos de Norberto. A luz a todos deixara desmaiados, caídos no chão. O sangue que estava no chão evaporava-se sem deixar vestígios, sendo absorvido pela luz. Aquele corpo de luz, matéria energética ou que diabo era aquilo levita e dirige-se para a rua, através de uma janela semiaberta. Corri, hipnotizado, para ver a bola de luz, para ver qual o seu destino, flutuou no ar, planou no meio da rua, rodopiou algumas vezes, num instante ganhou uma aceleração diabólica e penetrou no maldito corvo que fugiu. Lembrei-me de Norberto, corri para socorre-lo, supus que pudesse estar morto, verdadeiramente morto, para meu espanto estava bem, com um sorriso nos lábios, ajudei-o a levantar-se, olhei-lhe os pulsos as chagas estavam cauterizadas, devia ter sido a luz. Os outros, com a nossa ajuda, iam despertando atabalhoadamente, ninguém se lembrava do ocorrido nos últimos 5 minutos. «Alguma fuga de gás, ou o cheiro de algum medicamento mais forte deve ter sido a causa dos desmaios», disse o Dr. Pedro Silveira. Ninguém reparou, ou ninguém quis reparar nas chagas cicatrizadas dos pulsos de Norberto. Quando pensava que o corvo tinha desaparecido, avistei-o novamente a rondar o Hospital.&lt;br /&gt;Norberto, andava feliz, dizia que tinha muita gente para ajudar e que nem de perto estava doente, no entanto os ataques sucediam-se, mas agora sem gritos, continuavam era as chagas espalhadas por todo o corpo. Cada ataque, aquela bola de luz, que penetrava na malvada criatura, o corvo que depois fugia e regressava mais tarde. Várias vezes por dia isto acontecia, só eu dava importância a isso. Pois, essas imundas criaturas, os psiquiatras, são os culpados pela morte de Norberto.&lt;br /&gt;Norberto, no dia 15 deste mês, teve o último ataque, um ataque sem dor, pediu-me antes de morrer, aliás eu só mais tarde soube que ele morrera, que seguisse o corvo. Segui o maldito, tendo a impressão que era o demoníaco corvo que me guiava. Entrou, pela janela, numa casa. Bati à porta, ouvi gritos de uma criança, gritos de medo de pavor, arrombei a porta e vi a maligna criatura atacar uma menina, não deve ter mais de 5 anos.&lt;br /&gt;O corvo, atacava ferozmente, a face da menina transtornada, espantei o maldito. Vi, aquela luz, só que agora dividida em várias, que entravam na garota, pelas feridas provocadas pelo corvo, cicatrizando estas. Vi os pais, deviam ser os pais da criança, estavam furiosos tomaram-me por um assaltante, consegui fugir. Pelo caminho de regresso, deparei-me com um placar indicativo de uma associação. O nome chamou-me a atenção, Corvo Negro, o nome. Entrei, ninguém na recepção, caminhei por um estreito corredor que traziam vozes. Entrei numa sala com inúmeras pessoas, todas olhavam para mim com um olhar que me meteu um medo incalculável. Não que elas me quisessem mal, olhavam para mim com um olhar de veneração, autentica veneração, como se fosse um Deus. Fugi. Soube mais tarde que esta associação, era composta por membros que tinham o seguinte em comum:&lt;br /&gt;1- Foram doentes de Epilepsia&lt;br /&gt;2- Tiveram curas miraculosas&lt;br /&gt;3- Na altura da cura todos tinham sido atacados por um corvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paira sobre mim um terrível presságio. Paira sobre mim esse maldito corvo. Cala-te! Cala-te maldito. Não te quero ouvir! E tu cala-te também, não quero ajudar ninguém, não quero morrer! Não quero chagas! Cala-te! Ai! Ai os meus queridos pulsos! Vou! V…! V… ter…! Vou t…. outro…! Vou t… o… ata…!...........................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Inspirado no poema "Deixa-te Estar" do Corvo Negro(&lt;a href="http://corvo-negro.blogspot.com/"&gt;http://corvo-negro.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113929889843208992?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113929889843208992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113929889843208992' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113929889843208992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113929889843208992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/o-corvo.html' title='O Corvo'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113884158710353373</id><published>2006-02-02T01:50:00.000+01:00</published><updated>2006-02-03T02:17:24.176+01:00</updated><title type='text'>O Pintor do Tempo</title><content type='html'>Escrevo palavras, agora que a saúde me abandonou e o fim está próximo. Escrevo estas palavras, com plena firmeza e segurança na minha mente, se é que alguém que passou pela prisão pode ficar imune à insanidade mental. Não as escrevi antes por receio ou vergonha que além de assassíno me pudessem chamar de louco. Louco, é um termo que abomino. Não quero aqui provar a minha inocência, faço disto tão só um pequeno testamento, que dirijo ao meu filho. Pouco mais me sobra, se não esta leve incerteza de que nunca matei ninguém, que em herança pretendo transmitir. Fui apenas condenado por um crime que não cometi, um crime que nunca o foi, um crime que nunca existiu.&lt;br /&gt;Fui condenado, pela possível morte de João Pintor, assim era conhecido, hoje passados 40 anos, é tratado pelo Fantasma. O Fantasma da Casa Assombrada, casa dada ao abandono. Restam as ruínas. Intacta, apenas uma estrutura, a escadaria onde pela ultima vez vi João Pintor em carne e osso. Tenho ultimamente deparado com várias aparições desse Fantasma sempre no mesmo sítio, na tal escadaria intemporal.&lt;br /&gt;Pois bem, conheci João, por volta do princípio da Primavera de 66. Nunca esqueci as feições assimétricas do rosto litúrgico, o olhar divergente e o cabelo destrambelhado, daquela inexplicável criatura. Era um espírito original, amável, com uma imaginação indescritível. Depressa me afeiçoei ao seu ar coloridamente desmazelado. Ao princípio estranhei, que labora-se sempre no mesmo quadro, dia apôs dia, sem lhe ver forma ou o mais leve contorno, qualquer linha colorida, qualquer traço perceptível. Mais estranhei, que o dito quadro, por mais que João pincelasse em louco frenesim de braços, não passava, a meus olhos, de um borrão de tinta azul. Estava desejoso de ver outras obras, que João tivesse produzido, esfriou-se o meu entusiasmo, quando me contou que havia queimado todos os seus quadros anteriores. A razão era simples, segundo João qualquer quadro produzido até aquela altura fosse qual fosse o artista, não passava de uma banalidade tacanha que nada tinha de arte, de arte suprema. Na altura, olhando para aquele borrão de tinta, não me apercebi do alcance das suas palavras, cheguei mesmo a pensar (e Deus me perdoe) que era um maníaco com manias d’artista. Oh! Como estava enganado! &lt;br /&gt;Disse-me – &lt;em&gt;Eis um trabalho de dois anos, uma obra jamais feita, uma obra quase perfeita, uma obra viva e no entanto nada de especial. Nada de especial.&lt;/em&gt; – num tom orgulhoso e contudo suava a uma desilusão enigmática. &lt;br /&gt;Nada de especial, estúpido mesmo, pensei eu ao ver aquela nódoa de tinta espelhada na minha mesquinha ignorância. Não compreendia, um trabalho de dois anos para se esborratar naquela mancha, depressa desfiz as minhas dúvidas. João pegou no quadro levou-me para a cave, uma sala negra, forrada em veludo preto, confesso que por momentos senti um temor que me arrepiou desmesuradamente. Estava numa cave, em trevas abismais, com um louco, um louco de olhos estrábicos. O meu receio desfez-se repentinamente, quando João iluminou a sala com inúmeras luzes coloridas, apontando os seus focos para o quadro. Meu amigo, vê agora, olha para o nunca antes visto – disse-me. Olhei! Olhei paulatinamente! Absorto em pávida incredulidade! Atónito! O medo confundiu-me a mente, deturpou-me a vista! Esfrego os olhos! Esfrego, volto a esfregar! Não acredito! Não acredito! Pasmo! Oh! Incrível visão! Chuvas torrenciais de sentimentos esborratavam-se em mil emoções. Colapsos estonteantes. Deslumbrei planos e mais planos, planos perpendiculares, diagonais, tangenciais de paisagens coloridas que se precipitavam em espirais delirantes. Oh! E contudo sempre a mesma paisagem! A mesma paisagem em movimento contínuo, uniforme, acelerado, convexo, sei lá, sei lá… Diabólico, verdadeiramente diabólico! Um quadro vivo. Vivo! Vivo está vivo! Um quadro como se fosse um filme onde se sobrepunha frame após frame. Árvores que dançavam ao vento, rios que corriam. Juro, Juro que sentia a fragrância da verdura, ouvia os sons da água… Oh! Visão delirante! &lt;br /&gt;Está vivo! Está vivo! - Gritei sem desviar o olhar obsessivamente petrificado. João tapou-me os olhos, chamou-me à razão, acho, não tenho a certeza, que me deu duas bofetadas para sair daquela hipnose colorida. Recuperei, não sei ao certo quanto tempo depois daquele choque ou festival de sentidos sei lá, já fora da sala negra com João ao meu lado com um copo de água. &lt;em&gt;&lt;br /&gt;- Incrível, isto é incrível! Não é possível!&lt;br /&gt;- É possível, mas nada de especial. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Retorquiu João.&lt;br /&gt;João explicou-me o porquê, de não ser nada de especial, eu criei arte viva, como é viva terá como fim a morte. Queria eu lá saber da morte, aquele momento havia de ficar para sempre. Fui para casa, e nessa noite concebi também a minha obra de arte, a minha obra viva, foi nesse dia que concebi o meu querido filho.&lt;br /&gt;No dia seguinte, voltei a casa de João, mal o avistei logo lhe perguntei:&lt;em&gt;&lt;br /&gt;- Como conseguiste? Com conseguiste?&lt;br /&gt;- Imaginação, meu caro amigo, imaginação. Como já reparaste não me sinto satisfeito com a minha obra. A minha obra vive, vive, repara bem, vive no tempo, ela muda, ela cresce, ela amadurece, ela envelhece e por fim há-de morrer. O tempo tudo corrói. Quero uma obra viva mas intemporal, eterna como deve ser qualquer arte. A única coisa, repara amigo, a única coisa que foge ao tempo é a imaginação. Temos artistas que ora têm como objecto o passado, ora o presente ora o futuro. &lt;br /&gt;Dos artistas que se baseiam no passado -  o passado são simplesmente tradições ou quando muito vãs recordações, nenhuma obra digna de se chamar arte pode resultar de tão pouco.&lt;br /&gt;Dos artistas que se baseiam no presente – o presente não passa de moda, moda inútil, do inútil nada que se prime pelo belo pode resultar.&lt;br /&gt;Dos artistas do futuro – O futuro em sí, como objecto da arte, é um ideal, todo o ideal tende para a perfeição, a perfeição, caro amigo, é impossível de atingir logo do impossível nada a que se chame arte pode resultar.&lt;br /&gt;Tanto o passado como o presente ou o futuro, são simples coordenadas do Tempo.&lt;br /&gt;Amigo, meu único e querido amigo, o tempo prende, prende tudo menos a imaginação, isso é claro, não tenho a mínima dúvida. O Tempo é como o ar, ou melhor é como o vento, para navegar no vento é necessário asas. As asas da imaginação. Isso também eu já fiz, mas como tu podes viste obtive, embora inédito e genial, este triste quadro, este quadro condenado, que tem a morte assegurada. Eu preciso de ir além do Tempo, só assim poderei desvendar aquilo que foge ao tempo e tornar minha obra eterna. Tenho de ir ao instante, anterior ao início do Tempo. Pois é isso mesmo que agora me preparo para fazer.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envolto em terríveis nós neuronais, limitei-me a seguir João sem dizer palavra, não podia sentia-me atordoado, dirigia-se para a sua casa. Entramos, e disse-me:&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou subir estas escadas de costas, é um pouco estranho, faço-o apenas porque me ajuda a concentrar, e a desenvolver a máquina da imaginação, não há outra razão. Depois viajarei pelo Tempo, pelo vento com as asas da imaginação, até ao início no tempo em que não havia Tempo. Voltarei, com segredos revelados que me permitirão fazer aquilo porque tanto anseio. &lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João subiu de costas, lembro-me perfeitamente, três degraus e subitamente desapareceu, deixando apenas uma réstia de luz. Luz essa, que de vez em quando, ainda hoje, é visível dai o nome de Fantasma.&lt;br /&gt; Fui condenado, e verdade seja dita também por fruto da minha ignorância, pela morte de João, pois em vez de dizer que puramente não o tinha visto, mantive sempre a história que agora coloquei em palavras. No meu julgamento, e honra seja feita ao meu advogado, o quadro de João foi levado como prova, bem como todas as lâmpadas coloridas, para minha infelicidade o quadro tinha morrido, não passava de um borrão de tinta azul. Ainda hoje, tenho pesadelos com toda aquela gente a rir-se e a chamar-me de louco.&lt;br /&gt;Apenas para finalizar esta história, que me tem consumido ao longo destes anos, aqui deixo umas breves ilações ou suposições do que aconteceu.&lt;br /&gt;- O quadro morreu.&lt;br /&gt;- Segundo dizem os físicos, e eu não percebo nada de Física, o Tempo não é concebível fisicamente antes do Big Bang, então, penso eu, João viajou, nas asas da imaginação, para um sítio onde não existia vento, não existindo vento ele não podia sai do instante da partida. &lt;br /&gt;- Espero que João não tenha consciência desse instante repetido indefinidamente, o que se assim for ele vivera eternamente naquela alegria da partida, um instante eterno.&lt;br /&gt;- Tenho pesadelos, só de pensar que de alguma forma João possa ter consciência que está a viver indefinidamente esse instante, ou seja um instante que embora alegre, se repete vez após vez deixa de ser alegre, para ser monótono, deixa de ser monótono para ser insuportável, é assim que imagino o inferno. Inferno! Meu maior medo, é que a minha vida para além da morte seja apenas um instante. O instante em que o meu filho não acredite na minha inocência.PEsadelo! Pesadelo!Inferno!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113884158710353373?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113884158710353373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113884158710353373' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113884158710353373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113884158710353373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/02/o-pintor-do-tempo.html' title='O Pintor do Tempo'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113866073702813466</id><published>2006-01-30T23:37:00.000+01:00</published><updated>2006-01-31T02:51:29.516+01:00</updated><title type='text'>Transitividade do Amor</title><content type='html'>Foi nestes termos que, naquela noite, Marta se dirigiu a mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foi-se todo o sossego… o sobressalto da minha alma abarca o túmulo do meu ser. Amo Lúcio como jamais amarei alguém. O seu talento de escultor não é comparável à arte do seu amor. Tenho de tomar uma decisão, não aguento mais. Um dia, sim um dia, nos entregaremos em êxtase eterno. Agora tenho de por fim a isto, a esta relação. Tenho de me lançar ao mundo com toda a minha alma, quero conhecer-me totalmente. Conheço-me apenas pelos olhos de Lúcio. Como posso ama-lo com todas as forças do meu ser se me desconheço. Quero desnudar novos recantos do meu ser, quero que me ajudem amar Lúcio como ele merece.&lt;br /&gt;Nós gostamos dos outros pelo que eles vêm em nós, eu quero gostar de Lúcio pelo que ele é e não pelo que vê em mim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei em vão, convence-la a alterar a sua decisão, mas a sua determinação derrubava qualquer argumento que eu utilizasse.&lt;br /&gt;Foi pois com grande mágoa minha que Marta interrompeu a sua relação com Lúcio. Para quem está de fora talvez seja difícil compreender Marta, no entanto os seus pensamentos, embora excêntricos, são claros. Marta gostava de Lúcio, Lúcio gostava de Marta, Marta gostava de si mesmo. É precisamente esse “Marta gostava de si mesmo”, que a perturbava. Marta adorava o que Lúcio via nela, adorava como uma droga, era completamente dependente dos olhos de Lúcio. O olhar belo de Lúcio reflectia na alma de Marta um brilho esplendoroso. No entanto ofuscava completamente Marta, colocou em dúvida se gostava mesmo de Lúcio, ou apenas gostava daquilo que ele a fazia sentir. Para pôr termo a estas incertezas, Marta precisava de se conhecer melhor, ver a sua alma também pelos olhos de outros que não Lúcio. Pensava ainda que os seus sentimentos pudessem ser egoístas, provavelmente gostaria de Lúcio, porque ele representava apenas um caminho para gostar dela mesmo. «Ora o amor não pode ser egoísta», disse-me ela, várias vezes. Esta procura pelo Ser, levaria Marta a por fim à relação e procurar outros homens. Depois de se conhecer além dos olhos de Lúcio, poderia amá-lo como ele merecia, sem egoísmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Marta chegou a casa de Lúcio, este estava a trabalhar numa estátua, segundo ele uma escultura hiper realista, mas foi com surrealismo que recebeu a notícia. Acabou por aceitar a decisão de Marta embora não a compreende-se muito bem, «Mais valia perde-la por algum tempo que durante toda a vida», foi o que mais tarde me disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta graças à sua incomparável simpatia aliada a um corpo escultural, &lt;em&gt;lindo de morrer&lt;/em&gt;, não teve qualquer problema em arranjar outros homens.&lt;br /&gt;Um dia, não muito tempo depois, cerca de 5 meses, Marta descobriu coisas em si, que nunca tinha imaginado. Marta nunca mais seria como foi. Viveria a partir deste momento cada instante da sua vida com Lúcio, dar-lhe-ia coisa que antes nem sabia que tinha. Amava Lúcio, não tinha agora qualquer dúvida, estava pronta para voltar para ele e amá-lo profundamente sem egoísmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta faria uma enorme surpresa a Lúcio, ainda tinha a chave de casa, entraria a meio da noite, uma noite de amor.&lt;br /&gt;Entrou em casa de Lúcio, as suas faces de brilho rosado, os lábios rubros de desejo tornaram-se numa palidez fúnebre. Não viu lúcio, viu apenas estátuas, estátuas frias mascaradas com fatos de pele humana. Estátuas hiper realistas, vestidas com a pele dos homens com quem nestes tempos tinha convivido e dormido. As lágrimas escorriam-lhe em soluços trémulos que ecoavam Traição. Marta sentia-se traída, Lúcio tinha invadido aquilo que mais estimava, a sua alma. Sentiu-se despida, como se a alma tivesse milhares de órgãos genitais e Lúcio os tivesse visto clandestinamente, da forma mais hedionda e imaginável, a violação. Violação de privacidade, era o que Lúcio tinha feito. Fugiu, correu sem destino, até as forças se esgotarem, nunca mais quereria ver Lúcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje, não tenho qualquer notícia de Marta. Lúcio, para grande pena minha, suicidou-se. Morreu o homem, mas o artista sobreviveu, as suas esculturas são hoje considerado património da humanidade. Quanto à matéria que ele usava nas suas esculturas, está actualmente a ser utilizado pela CIA, como disfarce de agentes em missões de alto risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Inspirado numa mescla entre os Poemas Prémio e Eminetemente do AL&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113866073702813466?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113866073702813466/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113866073702813466' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113866073702813466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113866073702813466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/transitividade-do-amor.html' title='Transitividade do Amor'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113840212467787291</id><published>2006-01-27T23:40:00.000+01:00</published><updated>2006-01-28T01:05:58.233+01:00</updated><title type='text'>Princípio da incerteza</title><content type='html'>Discípulo para o Mestre:&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Mestre, aquilo que diz e escreve é de génio ou fruto do acaso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mestre:&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Todos os génios são fruto do acaso.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Discípulo:&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Mestre, então os génios nascem do acaso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mestre:&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;São os génios que criam o acaso.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Discípulo partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Oh! Se a força de espírito e das palavras do Mestre, me desvendassem os mistérios que me atropelam a cada momento.&lt;br /&gt;Oh! Que feliz a morada do ventre materno, um cordão apenas é todo o nosso sustento.&lt;br /&gt;Oh! Recordações apagadas.&lt;br /&gt;A espuma do mar acalmará o tormento de minha alma.&lt;br /&gt;Encontrarei quente conforto no laranja poente, banhar-me-ei em raios d’oiro, sentirei frescura no prateado mar.&lt;br /&gt;As ondas deixarão na cristalina areia, segredos ocultos do oceano profundo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Discípulo olhava o mar inquieto, agitava pensamentos nos instantes das ondas. Ondas furiosas, que lutavam entre si para beijar os lábios, feitos d’areia, da doce terra. Se segredos traziam, segredos levavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A espuma, são apenas vestígio instante que se sobrepõe a instantes de breves beijos. Beijo de instantes, nenhum beijo perdura. A luta é longa, o beijo breve, assim é a vida, instante que se sobrepõe a instante. As ondas são a inquietude do coração, bate, bate, e nunca o sangue é o mesmo.&lt;br /&gt;O mar é como o ventre materno não deixa recordações. Deixa instantes na areia, que o vento leva quando a maré baixa. &lt;br /&gt;Desarmei-me de ilusões e seduções do mar. Dormirei aqui, amanhã subirei à montanha.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A claridade da manhã iluminaria o caminho, a frescura do orvalho matinal traria verdura, coberta de esperança.&lt;br /&gt;Deambulou pelo labirinto de florestas, trepou rochedos, serpenteou atalhos e chegou ao cume.&lt;br /&gt;Expiram-se vapores, rasgam-se nuvens, reluzem entre as névoas um clarão, o azul domina. &lt;br /&gt;Olhou o céu que estendia o sol, não viu reflexos, &lt;em&gt;polido em demasia está o céu&lt;/em&gt;, pensou.&lt;br /&gt;Olhou as cachoeiras que se precipitavam em abismos. Olhou mais profundamente ainda, e viu a lucidez do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É do alto da montanha que vemos a serenidade do mar.&lt;br /&gt;Desvendei algo em alturas, é pois hora de falar novamente com o Mestre.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discípulo para o Mestre:&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Mestre é de longe que se vê a natureza das coisas?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mestre:&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Volta a subir a montanha e repara no elefante e na formiga.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Discípulo assim o fez. Chegado ao cume, olhou e viu que o elefante e a formiga eram, pareciam, do mesmo tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jamais recearei na vida mergulhar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu a montanha e mergulhou no tempestuoso mar. Tão fundo, tão fundo que nem a luz se atreveria a tanto. Descobriu que sem luz, nenhum tesouro reluzia. Sem mistérios desvendados, faltou-lhe o ar, desmaiou.&lt;br /&gt;Despertou na areia húmida, deu graças por ter sido salvo sem saber por que artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Renasci por acaso&lt;/em&gt;, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era já manhã e o sol brilhava imponente, quando o Discípulo reparou que não tinha sombra. Reparou ainda que também não se recordava de antes a ter. Nunca tinha reparado na sua sombra. Sempre tinha preferido o sol às sombras, mas agora sentia falta de uma sombra.&lt;br /&gt;O Discípulo procurou o Mestre, quando encontrou o Mestre viu que este era a sua sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Discípulo nada perguntou à sua Sombra, que antes era Mestre, abraçou-a de saudade e colocou-a a seus pés, &lt;em&gt;nunca mais se separariam&lt;/em&gt;, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sombra ficou feliz, assim podia guiar-lhe todos os passos, até que pudesse andar pelos seus próprios pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o Díscipulo, tomou consciência que desde que o Mestre era Sombra, nunca mais falou com ele, ou melhor com ela, a Sombra. Descobriu ainda, que ficava sempre entre o sol e a sua Sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Oh! Como fui egoísta, queria que a Sombra estivesse sempre comigo, não apenas em breves instantes, e acabei por acorrentá-la a meus pés. &lt;br /&gt;Solto-te agora, vai sê livre, tu que mesmo presa, nunca me tiraste o sol, a luz do saber.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sombra:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca fiquei presa contra  minha vontade, eu sempre guiei os teus passos, construí o teu caminho até este momento. Agora podes caminhar, pelos teus pés, caminhar ao acaso, e talvez um dia possas ser génio e construir um caminho feito de acaso. Instante a instante, construirás o teu caminho. Agora tens a humildade suficiente para não condensar todos os instantes.&lt;br /&gt;Quanto a mim vou esperar que alguém me encontre por acaso como tu o fizeste.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos se passaram, e o Discípulo já não recordava como a vida era com a Sombra a seu lado. &lt;em&gt;A Sombra é como o ventre materno&lt;/em&gt;, pensou de maneira feliz. Agora vivia todos os instantes, já não pensava em instantes. Nunca mais seria como foi, seria como o acaso quisesse, e ele faria o acaso como quisesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota:Esta história nasceu para tentar retratar o poema Eminentemente que o Al escreveu, o resultado não foi conseguido, o vento não soprava de feição, amanhã talvez volte a tentar se o vento ajudar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113840212467787291?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113840212467787291/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113840212467787291' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113840212467787291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113840212467787291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/princpio-da-incerteza.html' title='Princípio da incerteza'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113812220416348428</id><published>2006-01-24T18:01:00.000+01:00</published><updated>2006-01-24T18:18:13.626+01:00</updated><title type='text'>Auto Conhecimento</title><content type='html'>Entre amigos e conhecidos, eu inclusive, João sempre foi visto como uma pessoa que transbordava e partilhava boa disposição. Por onde passava emanava, uma áurea de compreensão, uma força divina de cumplicidade estonteante. A sua forma de viver roçava as fronteiras entre uma loucura contagiante e uma mente brilhante.&lt;br /&gt;Desde pequeno, dizia ele, que tinha aprendido a controlar os sonhos. Começou por deixar de sonhar o que não queria para passar a sonhar com o que queria. No fundo tinha duas vidas, uma de olhos abertos e outra de olhos fechados.&lt;br /&gt;Embora não tenha qualquer dúvida da realidade desses sonhos, durante o sono de João, posso afirmar que tinham tanto de fantástico como de incompreensível. A imaginação fascinante de João, era vista por alguns como algo muito próximo do delírio mental, alguns mas não muitos, sobretudo por gente que mal o conhecia. Felizmente eu tive o privilégio de conviver de perto com João. &lt;br /&gt;Se não tivesse visto seria para mim muito difícil de acreditar, mas o certo é que os poderes mentais de João não se limitavam ao controlo e criação de sonhos mas também se alargavam a poderes telecinéticos. Movia pequenos objectos por acção da mente. O seu objectivo dos últimos tempos, antes de ter ficado como está, prendia-se com ampliar os seus poderes, para objectos de maior peso. &lt;br /&gt;Lembro-me, perfeitamente, das suas ultimas palavras:&lt;br /&gt;&lt;em&gt; “ Tudo está ligado, nada está isolado. O mundo é um grande rio, uma corrente universal da qual fazemos parte. Tudo é uma grande melodia que vibra em uníssono.&lt;br /&gt;A chave de tudo é o auto conhecimento, é estarmos em harmonia com essa grande sinfonia que liga tudo e todos. A essência! A essência! Tenho de ir à essência! Sei coisas! Sei que sei!  &lt;br /&gt;Tenho de me desligar de pensamentos, de hábitos e costumes, coisas que me afastam da essência, do «átomo», da partícula essencial da vida.Não posso ficar condicionado por pensamentos, tenho de atingir o «Eu Interior», a minha alma.&lt;br /&gt;Tenho de atingir a energia divina a essência da natureza. Eu, tu, todos fazemos parte de um todo da mesma essência.&lt;br /&gt;Tenho de ir ao infinitamente pequeno, ao vazio. Conhecer todas as partes do «Eu», a corda vibrante da vida.&lt;br /&gt;Tenho de desprender-me de todos os pensamentos, conhecer-me profundamente, conhecer como as minhas partículas, as minhas cordas interagem com o todo.&lt;br /&gt;Ah! O vazio! O vazio! Tenho de apagar todos os meus pensamentos e ouvir, plenamente sem interferência de pensamentos, a voz do mundo.”&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;Apôs estas palavras, ditas em forma de delírio energético, fez-se uma breve pausa, depois de forma repentina disse-me:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Volta amanha, por volta das 10, agora tenho que meditar.&lt;br /&gt;Verás que não só poderei mover qualquer objecto mentalmente, como desenvolverei poderes telepáticos.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estas palavras, para quem não conhece-se João nos seus melhores tempos, poderiam soar a insanidade, quanto a mim posso dizer que as levei bastante a sério, com grande admiração. Nessa noite praticamente nem dormi, a ânsia de ver os progressos do João eram gigantescas.&lt;br /&gt;Pouco antes das 10 horas estava à porta de sua casa, toquei, bati à porta, berrei por João e nada, ninguém abriu. João teria saído? Achei estranho, ele nunca se esquecia de compromissos assumidos. Peguei na chave que uma vez me dera, dera porque estava sempre a esquecer-se da sua em casa, entrei e fiquei pasmado. João ainda estava em meditação. Estranhei porque João, nunca explicou porquê, dizia, apenas, que era prejudicial ficar mais de três horas em profunda meditação. Estaria ele toda a noite e já grande parte da manha em meditação? Reparei melhor, aquilo parecia mais estado de morto do que estado de meditação. Morto? Pensamento que me conduziu a um pânico imediato. Corri para João, medi-lhe as pulsações. Alivio! Respirei profundamente, o seu coração pulsava vida. Tentei despertá-lo em vão. João não tinha qualquer reacção, não respondia a qualquer estímulo. &lt;br /&gt;Ainda hoje, passado quase um ano, João não reage a qualquer estímulo exterior. Internado no hospital, o seu estado vegetativo causa uma grande perplexidade no mundo da ciência médica. A sua actividade cerebral é praticamente nula. Embora não possa ser aceite, segundo dizem, de forma científica, a minha opinião é de que João na tentativa de se desprender de todos os pensamentos para atingir o «Eu Interior», foi progressivamente desligando todas as sinapses que pudessem gerar pensamentos. Atingindo assim o &lt;em&gt;vazio&lt;/em&gt;, que tanto apregoava. A sua mente é tão vazia de pensamentos que não encontra uma sinapse que o traga de volta. Espero que um dia encontre o caminho de regresso, tenho esperança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113812220416348428?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113812220416348428/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113812220416348428' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113812220416348428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113812220416348428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/auto-conhecimento.html' title='Auto Conhecimento'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113780338318141494</id><published>2006-01-21T01:25:00.000+01:00</published><updated>2006-01-21T05:27:18.523+01:00</updated><title type='text'>AMOR E ROSAS</title><content type='html'>Podia, num simples estalar de dedos, desvendar todos os mistérios ocultos do universo. Detentor de segredos cósmicos pela arte da alquimia, Ilídio, podia mesmo transformar-se em puro conhecimento.&lt;br /&gt;Oh! Mas não, não queria tal coisa, estava apaixonado. Queria o amor, a essência do amor, o amor mais puro de todos, o amor espiritual.&lt;br /&gt;Provaria a Madalena, a sua paixão arrebatadora. Oh! O desejo que fervia no sangue! Haveria maior prova de amor que o sacrifício do prazer?&lt;br /&gt;Ah! O amor não tem forma, não tem cheiro, não tem cor, é símbolo é fragrância dos sentidos. Branco, branco símbolo da pureza. Rosas! Rosas!&lt;br /&gt;Negaria a carne, deixaria rolar as lágrimas de prazeres perdidos, ofereceria amor. Trocaria a alquimia pelo amor.&lt;br /&gt;O amor existe, no sol, nas chuvas, na água e no mar. Existe nas rosas, nas rosas brancas.&lt;br /&gt;Beijaria Madalena pela última vez, do beijo nasceria uma rosa, uma rosa branca.&lt;br /&gt;Madalena beijava, quando os lábios de Ilídio se tornam pétalas, as mãos folhas, e as pernas caule. Uma rosa branca.&lt;br /&gt;O amor abre-se em pétalas, liberta desejos, alarga sentimentos.&lt;br /&gt;O amor é belo, intenso de paixão, Madalena quer dois em um. O uno, a fusão de seres, a felicidade da união. O desejo materializado. Aperta na mão a rosa branca. Solta-se, contorce-se em êxtase divino. A Rosa Branca sente o calor da paixão, do caule erguem-se espinhos. Espinhos penetrantes buscando o sangue escaldante de Madalena. Dois em um, prazer, prazer! Corre nas veias da rosa branca o sangue de Madalena. Rosa branca! Rosa rosa! Rosa vermelha!&lt;br /&gt;A rosa vermelha sabia da paixão. As rosas brancas não sabem nada de amor. A rosa vermelha queria ser homem. Queria mais que alma e sangue, queria ser homem para provar as loucuras da carne. Queria ser homem mas não podia, a rosa vermelha nada sabia  de alquimia.&lt;br /&gt;Madalena amava a sua rosa vermelha, queria vê-la feliz. Não queria a solidão da rosa vermelha. Madalena comprou um ramo de rosas vermelhas, estas fariam companhia à sua rosa amada, que o amor está além da posse. Rosas vermelhas, tanta rosa vermelha! Madalena já não sabia qual era a sua rosa vermelha, pareciam todas iguais, todas tinham espinhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113780338318141494?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113780338318141494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113780338318141494' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113780338318141494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113780338318141494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/amor-e-rosas.html' title='AMOR E ROSAS'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113769464595296733</id><published>2006-01-19T19:16:00.000+01:00</published><updated>2006-01-19T19:17:25.966+01:00</updated><title type='text'>Intuição, Obsessão e Instinto</title><content type='html'>O corpo serpenteado de sua esposa, as nádegas altivas manchadas de tentação, os seios que se erguiam em esbelto talhe, apenas podiam significar – traição. Infidelidade!&lt;br /&gt;Abatia-se sobre Celestino uma demência crescente que lhe consumia as entranhas e conspurcava a alma. Sentia os olhos cintilantes, o brilho demoníaco, de outros homens pousarem no corpo provocatoriamente torneado de Helena, sua esposa.&lt;br /&gt;Sem outro meio de conservar a razão intacta, Celestino mudou e reforçou as fechaduras de casa, apenas ficara uma chave, a sua.&lt;br /&gt;Colocou grades de ferro, nas janelas de vidros fumados, que impossibilitavam qualquer entrada ou saída de corpos estranhos e olhares imundos.&lt;br /&gt;Trancada, fechada em casa, no 7º andar da Rua da Misericórdia, Helena estaria segura, longe de pecados, luxúrias e devaneios sexuais.&lt;br /&gt;Estaríamos, mais ou menos, por meados da Primavera, Celestino regressava do trabalho, quando deparou com o barulho atordoante de sirenes, bombeiros, ambulâncias e todo o tipo de frenesim infernal. Incêndio!&lt;br /&gt;Chocado, possuído pelo pânico, corria, corria desenfreadamente. Ardia diabolicamente o 7º andar, ardia a sua casa. Ao que parece o incêndio teria deflagrado no apartamento vizinho. Acabado o sustento das chamas, Celestino subiu. Subiu ao 7º andar, onde apenas sobravam as marcas negras do fogo. Subiu e viu. Viu Helena carbonizada, mesclada no corpo do seu amante. Sentiu um alívio divino, não era culpa sua. Helena viveria a morte como morreu em vida, no Inferno. Celestino sentiu uma enorme piedade pela alma de Helena, ele que nunca imiscuíra o seu corpo com os desejos da carne.&lt;br /&gt;Perplexo olhou em volta, do armário embutido na parede ficara apenas a estrutura, vislumbrou na parede, outrora encoberta pelas roupas, uma passagem para o apartamento vizinho. A passagem, adornada de cinzas, dos amantes!&lt;br /&gt;Celestino nunca mais viria a casar, a sua companhia era tão-somente um cão, de seu nome Fidel.&lt;br /&gt;Passados dois anos, mais coisa menos coisa, ao fatídico acontecimento, Celestino passeava o seu cão, pelo parque da cidade, ao inicio da noite. Noite de lua cheia. A sombra ténue das árvores dançava com a gélida aragem que se sentia na «espinha». Dança não raras vezes interrompida pelas cinzentas, embora pequenas, nuvens que encobriam a lua.&lt;br /&gt; Ora precisamente numa dessa interrupções, aparece repentinamente um vulto. Ladrão da noite, de arma em punho pretendia assaltar Celestino. Fidel, amigo de correrias encontrava-se longe, pressentindo um terrível perigo para o seu dono, desata a correr desalmadamente. O ladrão dispara, um tiro impaciente, contra Celestino. O cão, fiel amigo, atravessa-se no caminho da bala impedindo o seu destino. O ladrão, esse fugiu.&lt;br /&gt;Os últimos gemidos, latidos de dor, do cão emocionam Celestino, como se a dor fosse sua. «Cão amigo, um cão com sentimentos humanos», pensou Celestino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113769464595296733?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113769464595296733/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113769464595296733' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113769464595296733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113769464595296733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/intuio-obsesso-e-instinto.html' title='Intuição, Obsessão e Instinto'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113758192776086888</id><published>2006-01-18T11:57:00.000+01:00</published><updated>2006-01-18T20:53:27.353+01:00</updated><title type='text'>No Reino dos Burros</title><content type='html'>No Reino dos burros decidiu-se que a democracia estava ultrapassada. Decidiu-se ainda, que quem podia satisfazer melhor os interesses dos burros, seria o maior dos burros. Fez-se um teste de QI Invertido e determinou-se o maior burro.&lt;br /&gt;O maior burro, já no poder, decidiu como primeira medida, de modo a satisfazer a necessidade da população, implementar a maior das burrices. Sendo o maior dos burros, aquele que detinha a maior burrice, decidiu em primeiro lugar defender os seus próprios interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No Reino da Democracia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Reino da Democracia foi eleito o partido que melhor assegurava os interesses da população. O Primeiro Ministro eleito, viu-se na impossibilidade de satisfazer as necessidades de toda a população, durante o seu mandato. Portanto resolveu começar por zelar pelos interesses de uma parte da população. Como o PM era uma parte da população, visto fazer parte da população, decidiu acautelar os seus próprios interesses. É que de burro, o PM, não tinha nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113758192776086888?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113758192776086888/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113758192776086888' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113758192776086888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113758192776086888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/no-reino-dos-burros.html' title='No Reino dos Burros'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113746932878088554</id><published>2006-01-17T04:41:00.000+01:00</published><updated>2006-01-17T04:42:08.790+01:00</updated><title type='text'>Condenados (II)</title><content type='html'>Albino antes considerado sábio, vinha ultimamente sendo considerado louco. Vivia sozinho, depois das mortes trágicas da mulher e dos filhos, Gil e Vicente. A loucura, dado o que aconteceu é perfeitamente compreensível. Menos compreensível foi o esbanjamento da fortuna que tinha. Entregando de mão beijada avultadas somas de dinheiro a mulheres jovens que quisessem ter um filho seu. Não faltando candidatas o homem devia ser um tarado sexual e isso não tem desculpa.&lt;br /&gt; João dos Cravos, desconhecia se o Sr. Albino estaria louco ou não, ouvira falar, «que sim», mas decidiu ver para crer. Chegado à casa do Sr. Albino, pensou em voltar para trás, «vai não vai» bateu à porta.&lt;br /&gt;- Entre, está aberta.&lt;br /&gt;João entrou, conhecia bem a casa, passou ali bons momentos ouvindo as histórias que o Sr. Albino tinha sempre para contar.&lt;br /&gt;- Boa tarde, Sr. Albino. Então que tal vai a vida?&lt;br /&gt;Albino levantou-se da sua poltrona cumprimentando João.&lt;br /&gt;-Vai bem. E contigo?&lt;br /&gt;Antes de João responder, Albino continuou.&lt;br /&gt;-Vieste ver se estou louco? Como dizem por ai. &lt;br /&gt;Disse Albino com um sorriso simpático.&lt;br /&gt;- Não! Não, de maneira nenhuma!&lt;br /&gt;- Então que te trás por cá?&lt;br /&gt;João engoliu um silêncio constrangedor. Albino sorriu e continuou.&lt;br /&gt;- Não estou louco João, pelo contrário nunca os meus pensamentos foram tão claros. Nunca tive tanto amor pela vida como agora.&lt;br /&gt;O Sr. Albino convidou João para se sentar à beira da lareira.&lt;br /&gt;João sentara-se numa poltrona, tendo alguma dificuldade em olhar para trás e de ver o Sr. Albino, que continuava em pé.&lt;br /&gt;- O Gil era um grande humanista, mas ambos eram grandes pensadores. - Disse Albino enquanto pegava numa faca.&lt;br /&gt; Uma faca! Uma faca enorme pensou João, terrificado. Ficou mais descansado quando Albino enfiou a faca no presunto que estava pendurado, cortando um pedaço e colocando-o em seguida num prato.&lt;br /&gt;«Gil humanista?», pensou João, «deve estar mesmo louco».&lt;br /&gt;Sentados, iluminados pelas chamas intermitentes, petiscavam pedaços de presunto saboreando uma garrafa de tinto maduro.&lt;br /&gt;- Como estava a dizer, Gil era um grande humanista.&lt;br /&gt;- Humanista? – Responde João com uma simpatia timidamente trémula, empurrada pelo tinto.&lt;br /&gt;- Sim humanista, é difícil de compreender, vou tentar explicar. O mundo está em movimento, correcto?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;-Para simplificar, vamos supor que o mundo é uma circunferência, com um movimento rotacional centrado no seu centro.&lt;br /&gt;- Sim posso supor isso. – Respondeu João satisfeito este era o velho Albino que conhecia.&lt;br /&gt;- Pois bem - continuou Albino – Supõe agora que nós humanos, ou qualquer outro ser, somos segmentos de recta, tangentes a essa circunferência.&lt;br /&gt;- Sim também posso supor visto nos fazermos parte de um mundo em movimento e conhecermos muito pouco desse mundo.&lt;br /&gt;- Supõe ainda que nós como segmentos podemos deslizar sempre tangencialmente sobre essa circunferência.&lt;br /&gt;- Fácil - respondeu Albino – visto termos a capacidade de nos movimentarmos num mundo em movimento.&lt;br /&gt;-  Sim e também é fácil supor que a circunferência tem uma velocidade superior.&lt;br /&gt;-  Sim.&lt;br /&gt;- Supõe agora que tu como segmento de recta, te queres dirigir para um determinado ponto dessa circunferência, digamos um ponto C, quantos caminhos tens à tua escolha?&lt;br /&gt;- Dois – João com olhos a brilhar de entusiasmo – ou iria para a direita ou para a esquerda.&lt;br /&gt;-  Pois responde-me agora, agora qual é o destino final de qualquer ser humano.&lt;br /&gt;- É a morte claro.&lt;br /&gt;- A morte – Albino - faz parte do mundo certo?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Portanto na nossa comparação, a morte, faz parte da circunferência, correcto?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- O que concluímos até agora foi, que temos apenas dois caminhos para nos levar à morte, certo?&lt;br /&gt;-Sim. Podemos até dizer que um dos caminhos é a vontade própria, ou seja o suicídio e o segundo pode ser qualquer outro acontecimento.&lt;br /&gt;- Muito bem, - responde Albino – ou seja o que queres dizer é que vamos morrer e ainda por cima só temos duas hipóteses por vontade ou por imposição. Não interessa, estamos condenados independentemente daquilo que façamos, correcto? (Continua….)…..&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113746932878088554?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113746932878088554/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113746932878088554' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113746932878088554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113746932878088554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/condenados-ii.html' title='Condenados (II)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113728534356739410</id><published>2006-01-15T01:33:00.000+01:00</published><updated>2006-01-16T19:06:05.926+01:00</updated><title type='text'>Condenados(I)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mais vale tarde do que nunca &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Gil, entrava em estado de choque, tomava consciência de forma abrupta e macabra que o seu passado não teve sentido nenhum até agora, agora que tirava a ultima peça de roupa, à sua ultima vitima, com sempre fazia.Gil olhava com uma palidez fúnebre para o cadáver que poderia muito bem ter sido a sua alma gémea. Nunca mais mataria mulher alguma.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Afinal a sua última vítima não era mulher.&lt;br /&gt;Afinal para seu espanto, não tinha aversão a mulheres, apenas gostava de homens.&lt;br /&gt;Afinal tinha morto um travesti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Natureza&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Gil se preparava, para a sua primeira experiência homossexual, ao ver o seu «quase amante» de costas, sentiu um enorme desejo. Não conseguiu resistir. Apunhalou a sua vítima até à exaustão.&lt;br /&gt;O sangue quente da sua vítima, reconfortava-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, não seria a sua última vítima.&lt;br /&gt;Afinal, tinha mais jeito para matar do que para amar.&lt;br /&gt;Afinal, o acto de matar estava-lhe no sangue.&lt;br /&gt;Afinal, o sangue derramado era um acto de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Regresso às Origens&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil tinha agora plena consciência, do caminho que teria de percorrer. Sabia para onde ia. Sabia que muito em breve chegaria ao seu destino. Percorria tranquilamente o seu caminho, quando descobriu que não sabia de onde vinha.&lt;br /&gt;Decidiu voltar para trás, e desventrar a barriga da sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Afirmação e Progresso&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gil decidiu assumir os seus crimes perante Deus.&lt;br /&gt;Decidiu dirigir-se a um confessionário. Assumiria os seus crimes perante Deus de forma convincente, da única forma que sabia, assassinando o padre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Realização&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil encontrava-se perto do seu destino. Depois de ter morto, o Presidente da República faltava apenas um passo para complementar o seu caminho. O último passo a última morte, a sua. Encostou a arma à cabeça. Pum!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Livre Escolha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil tinha um irmão gémeo homozigótico. Vicente era em tudo igual a Gil, em tudo igual menos nas escolhas que faziam em vida. Vicente simplesmente não fazia escolhas, limitava-se a ficar sempre no mesmo sítio.Vicente apenas comia, bebia e f... quando podia, não ia a lado nenhum nem queria.&lt;br /&gt;Vicente morreu exactamente à mesma hora e no mesmo dia que Gil. Apenas uma diferença, no caso de Vicente foi a morte que veio ter com ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113728534356739410?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113728534356739410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113728534356739410' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113728534356739410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113728534356739410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/condenadosi.html' title='Condenados(I)'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113716800700459921</id><published>2006-01-13T16:58:00.000+01:00</published><updated>2006-01-13T18:12:23.463+01:00</updated><title type='text'>Entre a morte e a vida</title><content type='html'>Albino, apôs um ataque cardíaco, estava metade morto e metade vivo. Coisa para a qual, a ciência não encontrava explicação. Morto da parte direita, vivo da parte esquerda. O coração batia regularmente visto encontrar-se do lado esquerdo, não conseguia falar, mas conseguia raciocinar. Por sinal, à medida que a podridão da metade direita ameaçava progressivamente a metade esquerda, o raciocínio de Albino tornava-se mais lúcido. Neste duelo, entre a morte e a vida, ganharia a morte, com certeza, a morte é de facto muito mais forte. Mais forte que a morte, é o amor que Albino tem pela vida. Antes que a morte se apodere definitivamente do corpo, decide sacrificar a metade esquerda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113716800700459921?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113716800700459921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113716800700459921' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113716800700459921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113716800700459921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/entre-morte-e-vida.html' title='Entre a morte e a vida'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113715267793226558</id><published>2006-01-13T12:44:00.000+01:00</published><updated>2006-01-13T12:44:37.936+01:00</updated><title type='text'>Amor sem fronteiras</title><content type='html'>Numa época em que a igualdade de direitos sofreu uma grande evolução, havia ainda muito por fazer.Alvor, guardador de rebanhos, pastor de cabras, vivia já há vários anos com seu irmão, Dionísio: «Que diabo», pensava Alvor, «Somos cidadãos que pagamos os impostos que nos são tributados, cumprimos os nossos deveres, porque razão, não podemos ter os mesmos direitos que os cidadão casados?», «Por acaso existirá maior amor que o nosso?»,O facto de, duas pessoas não terem relações sexuais, não os podia impedir de usufruir o direito ao casamento, bem pelo menos, foi assim que o Supremo Tribunal sentenciou. Alvor e Dionísio casaram, ao casarem adquiriram o direito de se poderem divorciar (um direito que por acaso os solteiros ainda não tinham), facto que haveria de acontecer dois anos mais tarde.Alvor vivia agora apenas com a companhia do seu rebanho, tinha-se apaixonado pela Cinzenta, a cabra mais bela do rebanho. Alvor era um homem com princípios éticos e morais bem vincados, mas religiosos acima de tudo portanto sexo antes do casamento nem pensar.Estamos num tempo em que praticamente as florestas desapareceram, animais selvagens existiam apenas em zoo, em compensação a LIGA DE PROTECÇÃO DOS ANIMAIS tinha ganho poder, comprovado pela maioria de lugares assegurados no parlamento. Pois bem, foi essa mesma maioria que decretou, que qualquer humano poderia contrair matrimónio com qualquer espécie animal, isto, está claro, desde que o matrimónio não apresente riscos visíveis para o animal, dando assim importância prática ao slogan – frase chave que permitiu ganhar as ultimas eleições – “Os animais são muito mais que nossos amigos.”Os casamentos, entre homens e animais, principalmente entre homens e vacas, começaram a acontecer de forma exponencial, algo que confundiu muita gente foi a razão da preferência por este animal, menos os exploradores do mercado.Alvor e Cinzenta, viviam felizes, no entanto faltava algo na sua relação, um filho, sim um filho o desejo de qualquer casal, quase tão rápido como o desejo de Alvor foi a decisão do parlamento, que os casais zoófilos poderiam adoptar animais bebés, mas só se fossem crias de animais em vias de extinção, assim a preservação de algumas espécies estava assegurada, mas como todos os animais, pelo menos mamíferos, estavam em vias de extinção isso não gerou qualquer entrave. Assim sendo Alvor e Cinzenta adoptaram um Tigre de Benguela, reinava o orgulho dos dois ao verem o seu pequenino a crescer em cada dia que passava.Os exploradores de mercado começaram a criar clínicas de cirurgia estética para cabras, cujo grande especialidade era a implantação de silicone em cabras, criou-se assim a ideia que os humanos preferiam as vacas por causa do tamanho das mamas. E que havia muitos benefícios para os animais pois assim agradavam muito mais o seu parceiro, impedindo muitas vezes a violência doméstica, este argumento verdadeiro ou não possibilitou a aquisição de licenças para o desenvolvimento do negócio.No entanto havia quem argumenta-se que melhor que agradar aos outros seria, as pessoas ou animais, que em primeiro lugar deveriam era sentir-se bem consigo próprias, «E porque não corrigir pequenos infortúnios da natureza, com uma cirurgia ao alcance de todos?».Ao alcance de todos tornou-se apenas, quando estas cirurgias ficaram consagradas no Plano de Saúde, para delírio de muitas fêmeas, que podem agradecer ao prestígio e poder da Ordem dos Cirurgiões Plásticos que substitui a extinta, e não menos nobre, Ordem dos Médicos.Ora, não foi o motivo estético que levou Cinzenta a recorrer a uma dessa clínicas, embora do agrado do marido, mas sim a necessidade de produzir mais leite de forma a poder amamentar o seu filhote.Quem tem motivos para lá da parte estética é a recém criada Liga de Protecção dos Humanos, cujos membros foram outrora crianças órfãs. Esses motivos, que ainda pouca gente aceita, mas apoiantes são cada vez mais, prende-se com a evidência de existirem mais crianças órfãs que animais para adoptar.Das boas intenções de Cinzenta ninguém duvida, mais duvidosa foram os benefícios para a saúde dos implantes de silicone, se havia quem levantava a voz ao slogan - “mamas sãs em corpo belo”, não é menos verdade que vozes de inveja a poucos ouvidos chegavam, e mesmo quando chegavam , «O que valia a saúde comparada com um bom par de mamas?». Seja como for, Cinzenta não produzia leite para amamentar o seu mais que tudo, e teve que retirar o implante. O caso surgiu num jornal extremista, extremista para alguns, preconceituoso para a maioria. A maioria afirmava, e quando não afirmava pensava, que Cinzenta teve que tirar o seu implante, devido a ter ficado sem uma teta quando apareceram os primeiros dentes do seu filho.As eleições aproximavam-se, as sondagens continuavam a dar a maioria ao PILPA (Partido Internacional da Liga de Protecção dos Animais), o PD (Partido dos Dentistas) vinha em segundo lugar, tinha angariado muitos apoiantes desde que assumiu como sua causa, a «desdentação» das crias mamíferas, e depois da amamentação, ai sim, uma implantação dentária nas crias. O PLPH (Partido da Liga para a Protecção dos Humanos), tinha como causa principal pela igualdade de direitos na adopção por parte dos casais zoófilos de crianças em relação a outras crias mamíferas.Alvor e Cinzenta acabaram por se divorciar, O divórcio destes litigiosos, mereceu um acompanhamento especial pelas televisões, os advogados de defesa de Cinzenta , argumentavam, que o pedido de divorcio por parte de Alvor tinha como motivo o facto de Cinzenta ter uma teta a menos, e descriminação de animais portadores de qualquer tipo de deficiência era considerado crime.Já o advogado de Alvor argumentou que o pedido de divórcio se devia apenas à falta de comunicação que existia entre o casal, facto fácil de provar visto que Cinzenta não articulava palavra. O tribunal acabou por dar razão a Alvor e este ficou livre de pagar qualquer indemnização por danos morais. Alvor ainda acabou por lucrar pois acabou por vender Cinzenta na feira, coisa apenas permitida antes do casamento ou então apôs divórcio, como foi o caso.Os divórcios entre humanos e animais tornaram-se constantes, o ditado popular mais utilizado, que estava na moda, era: “Vaca que não dá leite feira com ela”, Se bem que tudo tenha começado com uma cabra …&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113715267793226558?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113715267793226558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113715267793226558' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113715267793226558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113715267793226558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/amor-sem-fronteiras.html' title='Amor sem fronteiras'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113715219001622504</id><published>2006-01-13T12:34:00.000+01:00</published><updated>2006-01-13T13:28:56.140+01:00</updated><title type='text'>Preservação e Selecção Natural</title><content type='html'>Ano de 2106.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana e Mário decidiram ter um filho, ainda bem que o fizeram hoje, 20 de Dezembro de 2106. Decidiram está decidido, não foi uma decisão precipitada, há quase um ano que pensavam nisto e ainda vão muito a tempo, a Clínica Pré-Natal, fecha as inscrições a 25 de Dezembro e só voltam a abrir em Novembro do próximo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia as mulheres não carregam os seus filhos nas barrigas, existem os úteros mecânicos, com o nome técnico de Pré-berço, é fácil e cómodo para os casais, o casal só tem o trabalho de fornecer o óvulo, algum esperma, depois é só levantar o bebé. Depois, não é logo a seguir, é passado um ano, as gestações nesta época demoram exactamente 365 dias, 366 se o ano for bissexto, todos os óvulos são introduzidos em Pré-berços no primeiro dia de cada ano ao meio-dia. Os bebés nascem todos ao meio-dia do primeiro dia do ano seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível hoje em dia, a mulher engravidar, ter uma gravidez indesejada, até porque devido à poluição a fertilidade é baixa, por outro lado a laqueação das trompas uterinas após o nascimento tem uma influência decisiva se dúvidas houvessem. Este método utilizado em todo o mundo, trouxe muita dignidade ao ser humano, visto reduzir drasticamente o aborto, para além do controlo da natalidade. Claro que crítica sempre houve e sempre haverá, há até quem vá mais longe e diga que, «isto não tem outro objectivo senão o de transformar a mulher numa máquina sexual». «Quem diz coisas destas ou é padre e nunca andou com filhos às costas, ou virgem e não sabe o que é bom», respondem outros.&lt;br /&gt;Além de tudo o Pré-berço, está provado cientificamente que, é muito melhor que o útero materno quer em segurança para o feto quer no desenvolvimento futuro da criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto a crítica mais ouvida e com mais apoiantes é o facto de a gestação demorar mais que 9 meses, argumento baseado na demagogia do antinatural. Coisa incompreensível, há gente mesmo céptica, todos sabem que a gestação demora um ano para reduzir exponencialmente o sindroma da morte súbita nos bebés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Clínica Pré- Natal é única no país, dirigida pelo Doutor Manolo Peres, reputado obstetra, reconhecido internacionalmente, pelos seus conhecimentos científicos, no entanto muito controverso por ser um activista pró-vida, portanto anti-aborto. Este facto torna-se ainda mais caricato, quando a Clínica Pré-Natal para além de ser a única maternidade do país é também a única clínica de abortos. No entanto faz todo o sentido, uma vez que assim o estado não despende dinheiro no transporte de fetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto da clínica Pré-Natal ser a única do país, é mais um motivo para os conservadores, frustrados com certeza, abrirem a sua boca maldizente. Só, e ainda bem, que o governo não anda a dormir e lançou rapidamente uma campanha que consistia em comparar a Clínica Pré-Natal com a Casa da Moeda, assim todos ficaram esclarecidos. Menos quem não queria ficar, esclarecido, mas, estes provavelmente tinham interesses obscuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns países o aborto é crime, felizmente no nosso país isso já não se passa, os pais têm o direito de abortar quando o entenderem. Nem sempre foi assim, houve tempos em que o aborto era crime, depois passou-se para uma fase em que a decisão do aborto cabia inteiramente à mãe, agora é da responsabilidade quer do pai quer da mãe, uma lei mais democrática o que diz bem do desenvolvimento do nosso país em relação a outros. Mas para se ter a verdadeira dimensão do nosso avanço, é reparar na possibilidade de se poder abortar até ao 364º dia de gestação, 365º se o ano for bissexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gentalha que critica, gente sem escrúpulos só pode, da Clínica Pré-Natal ser a única maternidade, é a mesma que critica também o facto de ser a única clínica de abortos. Por ventura estes indivíduos quereriam que o estado gastasse o dinheiro dos contribuintes em negociatas particulares. Como antigamente, no tempo das grávidas, em que as clínicas de aborto proliferavam graças a um marketing agressivo e publicidade enganosa - estilo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Nós eliminaremos o seu problema eliminando o seu bebé. Faça um aborto. É seguro, fácil, e uma solução legal".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nada mais falso pois os problemas não acabam aqui, pelo contrário começam, com traumas psicológicos a todos os níveis para a mulher. Assim como as coisas estão é melhor, o estado concentra os seus serviços havendo um rigor muito superior quer a nível económico quer a nível humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decorridos onze meses desde que Joana e Mário recorreram à clínica, a vida tinha dado uma grande reviravolta. Joana sentia náuseas, sentia-se petrificada, colada à parede branca da sala, talvez tivesse que abortar. Imóvel ouvia apenas o barulho do carro de Mário, Joana fazia um esforço para mostrar coragem, dois passo em frente, mãos em cima da mesa para amparar, não foi difícil, pesado sim. Ah! Uma cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário entrava na sala, Joana, com uma voz tremida de ansiedade, «Conseguiste arranjar emprego?». De olhos vazios, secos, olhos que viram muitas desilusões escorridas em lágrimas, mas que jamais chorariam, olhos sem vida, Mário deixa sair um «Não.», indiferente, depois de Joana se levantar da cadeia para ouvir a resposta. Os ombros de Joana caíram desanimados com o peso de uma esperança morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana queria mesmo ter este filho, não tanto por causa dela, mas sim para ver se Mário renascia para a vida. O melhor era fazer o aborto, as coisas têm a gravidade que tem, o momento em que são vividas é que diferencia tudo. Vistas bem as coisas o ordenado dela é suficiente para os dois, para três é que não, «de facto a vida até é bem simples, nós é que temos a mania de complicar, e se calhar ainda nem é momento de sermos pais, talvez para o ano se a vida mudar». Joana sentia-se muito mais aliviada, tinha feito as contas sempre para três e o dinheiro faltava sempre. A única coisa que a preocupava agora era a burocracia para fazer o aborto. Podia ter pensado nisto antes de o feto completar os nove meses, mas a esperança que Mário arranjasse emprego era maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário acompanhava a esposa sem dizer palavra, não porque estivesse triste, mas sim por hábito, a que se tinha acostumado sempre que Joana tomava uma decisão, e neste caso particular mais o seu silêncio fazia sentido, «Afinal ela é que tem o instinto maternal, coisa de mulheres, que aos homens não fica bem a não ser que sejam virados do avesso.» ele só tinha que assinar a papelada como concordava e pronto. Bem, mas também não se pense que Mário é um insensível, e que vai fazer um aborto de ânimo leve, apenas não há outra solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há apenas duas razões para se poder abortar apôs os nove meses de gestação, a primeira - motivos de ordem económica, como é o caso e fácil de provar visto Mário estar desempregado; a segunda –em caso, de litigio conjugal. Esta segunda razão tem sofrido várias alterações nos últimos anos, não por culpa do estado, porque a lei é boa, mas as pessoas é que se aproveitam das leis para abortar (após os 9 meses) sem razão válida. Não há muito tempo, que casais encenavam brigas, com testemunhas em frente da Assistência Social, só para poderem abortar e depois do aborto eram (inclusive testemunhas) apanhadas em festas a comemorar. E sinceramente não há razões nem necessidade destes comportamentos se as pessoas se lembrarem de abortar a tempo e horas. Mas não, a velha maldição histórica de deixar tudo para ultima hora continua presente. Há uns anos atrás os bebés nasciam no Verão, por causa das férias muitos casais decidiam abortar repentinamente, este foi o principal facto, que levou o governo a mudar a data de nascimento, poupando assim muito dinheiro aos contribuintes, os abortos são uma despesa considerável para o estado. É tanto maior quanto mais idade tem o feto, pois o feto também se alimenta, e comida de feto é cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da papelada, preenchida, Mário e Joana, dirigiam-se ao armazém onde os fetos se encontravam. Era a primeira vez que se dirigiam ali, visitas a fetos só eram permitidas no momento imediatamente anterior ao aborto, medida que recolhia grande simpatia por parte da população, por evitar sentimentalismos, que poderiam deturpar o direito à escolha (abortar ou não abortar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À entrada do armazém, encontrava-se o Doutor Peres, com uma seringa na mão. Apesar de o feto não ser Ser Pessoa, tinha o direito de ter uma morte digna e sem sofrimento, por injecção letal e não por perfuração ou outros métodos arcaicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Doutor Peres ainda os tentou demover do aborto, mas principalmente Joana estava decidida. Percorriam o armazém com filas e filas de Pré-berços, quase todos hospedados, pois os pedidos tinham sido muitos. «Ainda bem que os Pré-berços são opacos.», pensava Joana. Mete uma certa confusão, e muita impressão, a Joana os fetos serem mais parecidos com rãs do que com seres humanos, como toda a gente sabe. No entanto, estes pensamentos que Joana tinha, foram-se apagando, à medida que observava o Doutor Peres. Joana estava enternecida, com o amor que o Doutor Peres demostrava com os fetos por onde vai passando. Parece até que cumprimenta um a um, «No fundo ele é como um pai de todos, já que até agora foi ele que os tratou.».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram ao Pré-berço 2106-009191, onde está aquele que seria o filho de Joana e Mário. Este potencial filho caso viesse a este mundo teria como BI o número do seu Pré-berço. De “ses” não é o mundo feito, e o Doutor Manolo Peres espetou a agulha, no tubo que conduzia o alimento ao feto 2106-009191. Olhou, para Joana, para esta descarregar a seringa, Joana não teve coragem, olhou para Mário, Mário não teve coragem. O que mais desassossegou Joana, não foi o acto em si de descarregar a seringa mas o olhar reprovador do Doutor Manolo, se bem que o acto em si, «é um pouco abominável».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Pronto já está. Vêem, não custou nada.», diz o Doutor Peres ao casal com uma voz reconfortante,que aliviou profundamente Mário e Joana, «nem parece a mesma a mesma pessoa de há pouco com aquele olhar gélido, cortante como lâminas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Joana e Mário nunca chegaram a saber, é que a seringa apenas continha vitaminas. « Afinal, eu não mataria o meu filho, ou qualquer irmão dele que está neste armazém.», pensou o Doutor Manolo Peres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113715219001622504?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113715219001622504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113715219001622504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113715219001622504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113715219001622504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/preservao-e-seleco-natural.html' title='Preservação e Selecção Natural'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113685662876346809</id><published>2006-01-10T02:29:00.000+01:00</published><updated>2006-01-13T12:43:47.270+01:00</updated><title type='text'>Mais vale tarde do que nunca</title><content type='html'>Gil, entrava em estado de choque, tomava consciência de forma abrupta e macabra que o seu passado não teve sentido nenhum até agora, agora que tirava a ultima peça de roupa, à sua ultima vitima, com sempre fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil olhava com uma palidez fúnebre para o cadáver que poderia muito bem ter sido a sua alma gémea. Nunca mais mataria mulher alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal a sua última vítima não era mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal para seu espanto, não tinha aversão a mulheres, apenas gostava de homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal tinha morto um travesti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113685662876346809?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113685662876346809/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113685662876346809' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113685662876346809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113685662876346809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/mais-vale-tarde-do-que-nunca.html' title='Mais vale tarde do que nunca'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20754064.post-113685631540927400</id><published>2006-01-10T02:22:00.000+01:00</published><updated>2006-01-10T02:25:15.423+01:00</updated><title type='text'>2049, Mirandela, Arredores de Portugal</title><content type='html'>Alcino Oliveira, 23 anos, casado com Maria de Lurdes, iria ser pai num futuro breve, três meses faltavam para Maria dar à luz para ser mais preciso.&lt;br /&gt;De malas aviadas, para abalarem rumo a Lisboa, faltava mesmo ajeitar a albarda do Jerico, burro do casal que os conduziria à maternidade de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir de burro para uma maternidade poderia parecer estranho, à 40 anos atrás, actualmente é o meio de transporte mais utilizado em Trás-os-Montes, e ainda bem pois assim evitou-se a extinção deste animal, o burro, teimoso mas muito amistoso e bastante útil nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O burro após a preservação da sua espécie ter sido ameaçada, haveria de ganhar um grande impulso, depois do governo decidir finalmente combater a desertificação de Trás-os-Montes. Medida pouco popular na altura, para combater a desertificação, foi o corte das estradas, mas isso acabou por não ter grande sucesso. Então os órgãos de decisão numa medida muito mais diplomática decidiram apenas não construir novas estradas, nem preservar as poucas existentes, que mais tarde se tornariam caminho de cabras, caminho de cabras é exagero o mais correcto é dizer caminho de burros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não venham aqui os radicais trasmontanos falar de discriminação, pois o dinheiro não chega para tudo, e se há aeroportos e TGV, muito se deve a um grande esforço financeiro do país. Além do mais os trasmontanos não se podem queixar, pois hoje 25 de Setembro de 2049, têm clínicas para a interrupção voluntária da gravidez, salas de chuto e ainda clínicas para o tratamento da toxicodependência através da metadona, completamente suportada pelo Ministério da Saúde, é claro que mais uma vez o dinheiro não chega para tudo, e portanto Mirandela e todo Trás-os-Montes não tem Maternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora é justamente o facto, de não existir Maternidade nas proximidades que leva Alcino e Maria de Lurdes fazerem-se ao caminho rumo à capital, terra de oportunidades. Alcino leva na Algibeira uma côdea de pão, ao ombro uma bota de vinho, que com pão e vinho já se anda o caminho, e se o caminho é longo como é o caso então um alqueire de figos secos e um garrafão de aguardente lá há-de matar o bicho, e afastar a geada, até ao Marão. Para lá do Marão é ao fundo, a descer todos os santos ajudam, pelo sim pelo não o melhor é levar a Matilde, a cabra do casal, que dará leite à grávida, e algum sustento se o vinho acabar. E se isto tudo não chegar haverá mais dias do que chouriças, a que uma dúzia de alheiras deve fazer frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pense que o burro é o único meio de transporte possível, para sair de Trás-os-Montes, existe também elevado número de helicópteros, que são usados para o transporte da metadona, mas Alcino era demasiado orgulhoso para pedir boleia à cruz vermelha, ou a algum helicoptéro do estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não gostou deste orgulho foi Maria de Lurdes, quando começou a sentir o nevoeiro do Marão a entrar -lhe nos ossos. «Tinha feito um aborto, tinha médico de família pelo menos durante três meses, ou período pós-traumático, tínhamos um subsídio para o recomeço da vida e escusava de passar por isto. A mulher é que devia ter o direito de escolher, se quer ter um filho ou não».&lt;br /&gt; São pensamentos que uma pessoa tem quando se junta a fome com a vontade de comer, nada que uma fogueira e uma alheirita não curem, se Alcino assim o pensou, melhor o fez. Maria de Lurdes, agora com o estômago composto, acarinhada pela fogueira colocava a mão na barriga, «como pude ser tão estúpida». Alcino é que sabia a mulher que tinha senão teria havido discussão na certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a passo, Lisboa estava perto, o vinho acabara-se, alheiras nem vê-las, restava Matilde, magra da viagem, mas alguma coisa se havia de aproveitar. Alcino e Maria tinham uma devoção especial por Matilde, tinha sido uma prenda de casamento. «Gado que não dá criação não o quero na corte», repetia Alcino vezes sem conta para ganhar coragem de fazer o que tinha de ser feito, «tantas vezes coberta e nada». Pronto, agora é que já não havia nada a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados à capital, instalaram-se num bairro de lata, «provisoriamente até arranjar emprego». Emprego é que não era fácil arranjar, «a um transmontano não há vaca que lhe arreganhe a beiça e cair só morto, mesmo quando o trasmontano cai, cai para a frente, até na desgraça avançamos», dizia Alcino de peito aberto a Maria de Lurdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema era as habilitações, mas «onde diabo iria arranjar um emprego sem habilitações, em Lisboa não há agricultura, ler mal sei, …». «Emprego só quero até o meu filho nascer, vá lá até ao primeiro mês, altura em que deverá aguentar a viagem, depois de estar lá em cima comida não lhe há-de faltar, que boas mãos para o trabalho tenho eu.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente o esforço é proporcional ao sucesso, e Alcino lá conseguiu uma vaga através do centro de emprego como toxicodependente, tinha o equivalente a um ordenado mínimo, não era muito mas pelo menos era garantido, valeu a pena esperar pois além do emprego a Assistência Social acabou por lhe oferecer um apartamento, habitação social, por uma renda irrisória, «afinal o mundo não é tão mau como isso», mas o que mais agradava a Alcino era ter médico de família, coisa que nunca tinha tido, de facto Lisboa oferece outras condições. «Tinha tentado ser toxicodependente em Mirandela, várias vezes, desde que Maria de Lurdes apanhou uma pneumonia, com intuito de arranjar médico de família, mas nada, em menos de 15 dias tenho aqui tudo».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Alcino não pensou foi que em Lisboa a vida é mais cara, e o ordenado mínimo mal dava para o pão. Se bem que a toxicodependência não lhe ocupasse o tempo todo, conseguir outro emprego não se avizinhava fácil. Maria de Lurdes queria ajudar, « que gravidez não é doença», e no centro de emprego havia várias empregos que não exigiam habilitações específicas. As mulheres não se podiam queixar de falta de empregos, graças ao grande esforço de sucessivos governos no desenvolvimento de programas para a igualdade de oportunidades. Tinha vários empregos para prostituta, o que Maria estava longe de imaginar era que as empresas de lenocínio legalizado, discriminavam as grávidas, argumentando que não tinham mercado, o caso ainda foi ao Tribunal de Trabalho mas tudo ficou em águas de bacalhau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a sorte sorriu a Alcino, que como toxicodependente conhecia muita gente, de todos os gostos e feitios, foi assim que travou conhecimentos com Albertino da Silva, toxicodependente mas também deputado nas horas livres. Albertino da Silva era filho de transmontanos, embora Albertino nunca tivesse pisado terras para lá do Marão, tinha um carinho especial por aquelas gentes, e tratou de arranjar um bom emprego a Alcino. Arrumador de carros, emprego muito apetecido, dos mais bem pagos de Portugal, em troca, visto que ninguém dá nada a ninguém, Albertino pediu o Jerico, o burro de Alcino. O burro era um elemento de apoio muito útil para qualquer deputado, servia de transporte e evitava-se o dispêndio de dinheiro com arrumadores de carros. Isto porque não existia a profissão de arrumador de burros, e os arrumadores de carros não tinham formação específica para cuidar destes animais. Estes animais tinham mesmo lugar assegurado na Assembleia da República, (estilo estacionamento), mas isso é outra história…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida corria bem ao casal, o filho nasceu bem de saudinha, dois meses após o parto, Alcino e Maria decidiram regressar à terra. Foi uma decisão difícil, principalmente para Alcino, ganhava bem e tinha-se viciado completamente no trabalho, mas as saudades de Mirandela falaram mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tendo, burro resolveram apanhar o TGV até ao Porto e dali para cima algo se haveria de arranjar. E assim foi, do Porto a Amarante foram a pé, graças a Deus, que gente conhecida sempre se encontra e como todos somos filhos da terra a amizade está feita. Alcino pedia uma boleia na carroça do Senhor Justino, carroça essa puxada por dois machos, macho para quem não saiba é o animal cruzado do burro com o cavalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Justino tinha ido ao Porto buscar uma criança, já filho adoptivo, que tinha mandado importar de Africa. A importação de crianças e posterior adopção, é um programa do governo, financeiramente assegurado pela Assistência Social, para tentar rejuvenescer a idosa população portuguesa.&lt;br /&gt; O Sr. Justino era um homem alegre de piada fácil, depois de saber a história de Alcino e como tinha perdido o seu burro, mandou logo a sua piadita, «Burro que vai para o parlamento nunca mais de lá sai».&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20754064-113685631540927400?l=fragapantocha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fragapantocha.blogspot.com/feeds/113685631540927400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20754064&amp;postID=113685631540927400' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113685631540927400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20754064/posts/default/113685631540927400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fragapantocha.blogspot.com/2006/01/2049-mirandela-arredores-de-portugal.html' title='2049, Mirandela, Arredores de Portugal'/><author><name>Carlos Estroia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14141020540527440519</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
